Israel mantém presos brasileiro e palestino integrantes da flotilha de ajuda humanitária a Gaza

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O governo israelense anunciou nesta sexta-feira (1º) que o brasileiro Thiago Ávila e o palestino Saif Abu Keshek, integrantes da flotilha de ajuda humanitária a Gaza, capturados na quinta-feira (30) junto com outros 175 ativistas, vão permanecer presos e serão levados a Israel para serem interrogados.

Em uma mensagem publicada na rede social X, o ministério israelense afirmou que Thiago Ávila é “suspeito de atividade ilegal”. E disse que Abu Keshek é “suspeito de filiação a uma organização terrorista”. Ambos “serão levados a Israel para serem interrogados”

Os demais ativistas capturados por Israel desembarcaram nesta sexta-feira (1º) em um porto no sudeste da ilha de Creta, na Grécia. Eles foram escoltados pela guarda costeira grega e conduzidos a quatro ônibus. Não se sabe o destino dos detidos.

Ávila é um dos coordenadores da Flotilha Global Sumud para Gaza e participou de outras ações do mesmo grupo nos últimos anos. Ele também esteve no Trem Nossa América para Cuba.

Abu Keshek também é coordenador da flotilha e defensor da estratégia de não-violência do grupo.

“Exigimos que todos os governos façam tudo o que puderem para pressionar o regime israelense a libertar todos os sequestrados ilegais. Os participantes cativos restantes foram libertados em Creta, exceto Thiago e Saif”, postou a organização da flotilha nas redes sociais.

Ainda segundo a Flotilha Global Sumud, os integrantes interceptados permaneceram 40 horas detidos no navio da marinha Forças Armadas de Israel, em águas gregas.

Eles foram privados de comida e água adequadas e forçados a dormir em pisos que foram deliberadamente e repetidamente inundados. Ainda segundo o relato, eles foram agredidos quando tentaram impedir que Ávila e Saif fossem levados.

“Os participantes foram socados, chutados e arrastados pelo convés com as mãos amarradas nas costas. Eles sofreram narizes quebrados, costelas rachadas e espancamentos sangrentos”, descreveu a organização.

O grupo anunciou que 60 dos participantes detidos lançaram uma greve de fome pela libertação dos dois.

Segundo a organização da flotilha, 22 embarcações foram interceptadas até o momento por Israel, enquanto outras 47 ainda seguem navegando rumo a Gaza. Essas embarcações que partiram nas últimas semanas de Marselha (França), Barcelona (Espanha) e Siracusa (Itália).

O Brasil criticou operação israelense que deteve os ativistas. Em um comunicado conjunto com Turquia, Bangladesh, Colômbia, Jordânia, Líbia, Malásia, Maldivas, Mauritânia, Paquistão, África do Sul e Espanha, o país denunciou as “violações flagrantes do direito internacional” por parte de Israel e classificou a ação como “ilegal”.

Madri convocou o encarregado de negócios israelense na Espanha. “Israel volta a violar o direito internacional ao atacar uma frota civil em águas que não lhe pertencem”, disse o presidente espanhol, Pedro Sánchez.

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