Istmo – Circuitos Criativos América do Sul abre caminhos para artistas visuais do RS no cenário latino-americano

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As inscrições para o edital do Istmo (Circuitos Criativos América do Sul) foram prorrogadas até domingo (19), ampliando o prazo para artistas visuais interessados em participar de uma das principais iniciativas voltadas à inserção internacional da produção artística do Rio Grande do Sul.

A chamada é direcionada a artistas gaúchos ou residentes no estado há pelo menos cinco anos, com idade mínima de 18 anos, e contempla diferentes estágios de trajetória, desde produções em consolidação até percursos em início de carreira.

A proposta do projeto é reunir trabalhos com consistência poética e investigação contínua, capazes de dialogar com contextos críticos mais amplos. Ao mesmo tempo, a organização destaca que o edital permanece aberto a múltiplas linguagens, práticas e gerações, desde que os trabalhos apresentem densidade conceitual e desenvolvimento consistente. A iniciativa busca, assim, ampliar o campo de interlocução entre artistas e fortalecer redes que ultrapassem fronteiras regionais.

Inserção internacional e circulação artística

O edital prevê a seleção de 40 artistas que terão seus trabalhos apresentados a curadoras e agentes culturais de diferentes países da América do Sul, entre eles Argentina, Uruguai, Chile, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia e Paraguai. A programação inclui uma série de atividades voltadas à formação e à circulação, como leituras presenciais de portfólio, visitas institucionais, oficinas, exposição virtual, publicação de catálogo e produção de documentário.

A leitura de portfólio com agentes internacionais é apontada pela organização como um dos principais eixos do projeto. A proposta é criar um espaço de interlocução direta entre artistas e curadores, favorecendo a construção de vínculos profissionais e a possibilidade de inserção em outros circuitos culturais. Esse tipo de mediação é frequentemente apontado por especialistas como estratégico para a circulação de obras e o fortalecimento de trajetórias no campo das artes visuais contemporâneas.

Desafios históricos e estratégias de articulação

A criação do Istmo está relacionada a um diagnóstico recorrente no meio artístico local: a dificuldade histórica de inserção da produção gaúcha em circuitos nacionais e internacionais. Segundo a artista e curadora Laura Cattani, idealizadora do projeto ao lado de Munir Klamt, a iniciativa surge como resposta a esse cenário, buscando criar pontes entre artistas do estado e agentes culturais de outros países latino-americanos.

Ela destaca que a proposta vai além da simples difusão de obras, ao apostar na construção de redes institucionais e simbólicas que possam sustentar a presença desses artistas em outros contextos. A presença de curadores com atuação consolidada em seus países é apontada como um diferencial, ao contribuir para a qualificação das trocas e para a abertura de possibilidades concretas de circulação.

Diversidade, formação e acesso

Outro eixo destacado pelo projeto é o compromisso com a diversidade e a ampliação do acesso. As atividades previstas contam com recursos de acessibilidade, como tradução em Libras, audiodescrição e legendas, além da atuação de agentes de inserção social. A medida busca ampliar a participação de grupos historicamente sub-representados no campo das artes visuais, um debate que tem ganhado centralidade nas políticas culturais contemporâneas.

A abertura para artistas em diferentes momentos de carreira também é apresentada como uma estratégia para promover encontros intergeracionais e estimular a troca de experiências. Para a organização, a diversidade de percursos e linguagens é um elemento fundamental para o fortalecimento do campo artístico e para a construção de um diálogo mais amplo no contexto latino-americano.

Informações completas e inscrição

O edital completo, regulamento e formulário de inscrição estão disponíveis em: https://torus.art.br/istmo-chamada-aberta/

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