O TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal) condenou o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) a indenizar em R$ 20 mil os deputados federais Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Lindbergh Farias (PT-RJ) por falas misóginas.
Nas redes sociais, Gleisi e Lindbergh publicaram um vídeo se manifestando sobre a indenização. “Isso não é só uma vitória individual. É um recado claro: mulher não pode ser alvo de machismo e violência política”.
Gayer foi procurado pela CNNmas ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.
Entenda o caso
Em março de 2025, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que colocou uma “mulher bonita” como ministra para melhorar a articulação com o Congresso. Após a fala do presidente, Gayer afirmou, em publicação no X (antigo Twitter), que o mandatário “ofereceu Gleisi Hoffmann como um cafetão oferece sua funcionária em uma negociação entre gangues”.
Em outra postagem, o parlamentar questionou Lindbergh, que é marido de Gleisi: “E aí, Lindbergh Farias, vai mesmo aceitar o seu chefe oferecer sua esposa para o Hugo Motta e Alcolumbre como um cafetão oferece uma GP (garota de programa)?”.
Gayer também chegou a fazer outra publicação insinuando uma relação entre Gleisi, Lindbergh e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP): “Me veio a imagem da Gleisi, Lindbergh e Davi Alcolumbre fazendo um trisal. Que pesadelo”. A postagem foi posteriormente apagada.
Devido a isto, Lindbergh apresentou uma queixa-crime ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra Gayer por injúria e difamação.
Na sentença, o desembargador Alfeu Machado disse que a linguagem utilizada por Gayer é “chula, sexualizada e desprovida de qualquer conteúdo político ou institucional”.
De acordo com ele, “não há, nas manifestações, qualquer menção à fala do Presidente da República que tenha originado uma crítica, tampouco há contextualização que permita compreender as postagens como parte de um debate público legítimo”.
Indenização
Ó parlamentar foi condenado a pagar R$ 10 mil para Gleisi e Lindbergh por danos morais, totalizando R$ 20 mil. Além disso, Gayer deverá fazer uma retratação pública em todas as redes sociais em até 10 dias, sob pena de multa diária no valor de R$ 1 mil.
“A representação pública, além de medida reparatória, possui função simbólica e pedagógica relevante, especialmente quando a ofensa se dá em ambiente de ampla exposição digital e envolve agentes públicos”, explicou o desembargador.
*Sob supervisão de Leticia Martins, da CNN Brasil

