‘Justiça energética’: movimento popular em São Paulo leva energia solar a famílias da periferia

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Imagine se a conta de luz deixasse de ser um peso no final do mês. E se a energia solar, tão falada hoje em dia, deixasse de ser coisa de quem tem dinheiro e virasse um direito para toda a população? Essa é a proposta do coletivo Nosso Sol, formado por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) Leste 1 e da União de Movimentos por Moradia de São Paulo. Atualmente, o coletivo busca levar energia solar para famílias da periferia da Zona Leste de São Paulo.

“O movimento vai completar 40 anos no ano que vem. A gente tem uma tecnologia que chamamos de autogestão. Produzimos moradias com a participação das famílias não só no planejamento, mas também na construção de fato”, explica Gabriela Alves dos Santos, integrante do coletivo, no É de Manhã e Rádio Brasil de Fato.

Foi a partir dessa experiência que surgiu a ideia de levar energia solar para as comunidades. “Com uma parceria com o Instituto Pólis, a gente criou essa ideia de trazer a energia solar. Hoje ela está aí nos prédios de luxo, para aquecer piscina. A gente entende que, como uma energia produzida de graça, com a luz do sol, renovável, que faz bem para o planeta, ela deveria ir para as famílias de baixa renda.”

“A gente já tem o condomínio Paulo Freire, na cidade de Tiradentes, com essas placas instaladas. Agora, queremos expandir com essa campanha de financiamento coletivo”. E acrescenta os resultados concretos da instalação: “A média de economia de energia é de 70%. Uma conta de energia condominial que vinha aí 4 mil, 3 mil reais, baixou para 200, para 100 reais. Em alguns meses, eles já mencionaram que não pagaram nada de conta de energia.”

A economia não foi apenas financeira, mas social. “Como a gente trabalha com autogestão, as próprias famílias decidem o que fazer com essa economia. Elas decidiram fazer melhorias no próprio conjunto: instalar lixeiras nas áreas comuns, fazer um parquinho para as crianças brincarem. Pegaram a economia e investiram no bem-estar, num conforto maior para as próprias famílias.”

Santos enfatiza que o debate vai além da tecnologia e se trata de uma questão de justiça energética. “Justiça para que essa produção de energia chegue para quem mais precisa.”

Ela lembra o peso das contas no orçamento das famílias pobres. “A gente está falando de pessoas que têm que escolher se vão pagar a conta de luz ou a conta de água. Se vão pagar a conta de luz ou se vão fazer a compra do mês no supermercado. Quando a gente fala de levar essas placas para as famílias que mais precisam, a gente está falando de proporcionar uma qualidade de vida.”

“A pessoa consegue comer um alimento com mais qualidade, fazer uma reforminha que precisa, investir num curso para os filhos. É uma questão que proporciona qualidade de vida para as famílias que a gente está buscando atingir”, destaca.

Santos reforça, porém, que a luta “é para que os programas já tenham incluídos no orçamento o recurso para as placas solares” e defende que o investimento não é grande quando comparado ao custo total da obra. “Não é um recurso muito grande, não é uma coisa que o Estado, o município não conseguiria subsidiar. Quando a gente fala de habitação social, a gente também tem que falar de justiça energética.”

É possível acompanhar o trabalho através do Instagram @coletivonossosol. “Lá você encontra o link da campanha, o Pix e pode nos conhecer. Todo apoio é importante – financeiro, ou vindo conhecer, apoiando como cada um puder. Para muita gente, a energia solar não é uma possibilidade. Vem conhecer, é possível, é real”, convida.

Para ouvir e assistir

Ó É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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