O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou o desenvolvimento de um cenário para a saída da Rússia do mercado europeu de gás.
“Ontem, o presidente enfatizou especificamente que não se trata de uma decisão, mas sim de uma proposta, ou melhor, uma instrução ao governo para trabalhar nessa questão”, disse ele.
Na última quarta-feira (4), Putin declarou que é possível que a Rússia interrompa totalmente o fornecimento de gás para a Europa, transferindo-o para outros mercados e sem esperar que uma proibição total das exportações entre em vigor.
O mandatário lembrou que a União Europeia planeja impor restrições à compra de gás russo, incluindo gás liquefeito, em um mês, e restringir ainda mais o fornecimento em 2027, podendo chegar a uma proibição total.
“Talvez fosse mais vantajoso para nós interromper o fornecimento para o mercado europeu agora? Entrar nos mercados que estão se abrindo e ganhar espaço neles?”, questionou o presidente.
Vladimir Putin observou que não haveria “nenhuma motivação política” por trás de tal medida, afirmando que seria uma questão de “consolidação” de mercados confiáveis.
“Se eles vão nos fechar em um ou dois meses de qualquer maneira, não seria melhor parar agora e ir para aqueles países que são parceiros confiáveis? E consolidar nossa posição lá”, disse ele.
O presidente russo enfatizou que esta não é uma decisão já tomada e formalizada, destacando que está “apenas pensando em voz alta”. Segundo ele, o governo ainda precisa analisar essa questão.
Ao mesmo tempo, Putin acrescentou que a Rússia continuará, em qualquer caso, a fornecer energia a países europeus que sejam parceiros confiáveis, como a Hungria e a Eslováquia.
Alta nos preços
Desde o início da ofensiva EUA-Israel contra o Irã, os preços do gás natural na Europa subiram 65%. Primeiro, o Catar, segundo maior produtor de GNL, suspendeu as operações em suas usinas de GNL. Em seguida, o Irã anunciou o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do suprimento mundial de GNL. Enquanto isso, após um inverno muito rigoroso, os estoques de gás na Europa estão no nível mais baixo desde 2022.
Segundo Putin, a recente alta nos preços da energia no mercado europeu não está diretamente relacionada a restrições de fornecimento, já que os principais fornecedores (Argélia, Estados Unidos, Noruega e Rússia) não reduziram seus volumes.
O presidente russo aponta que o motivo da alta dos preços reside nas políticas equivocadas das autoridades da UE ao longo de muitos anos, bem como na situação geral dos mercados globais devido aos eventos no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz.
Já o chefe do Fundo Russo de Investimento Direto e representante especial do presidente para investimentos e cooperação econômica com países estrangeiros, Kirill Dmitriev, afirmou nesta quinta-feira (5) que o “choque” do gás para a UE continuará.
“O ‘choque’ do gás continuará, alimentando a inflação e arruinando a indústria e as famílias da UE”, escreveu Dmitriev na rede social X.
Em sua publicação, o chefe da instituição acrescentou que o aumento massivo nos preços do gás natural na UE “não teria acontecido sem a rejeição imprudente da UE ao gás russo” e aconselhou os cidadãos da UE a exigirem responsabilidade da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, da ministra das Relações Exteriores da UE, Kaja Kallas, e de “outros russófobos”.

