Líbano se fragiliza diante de Israel e enfraquece acordo entre EUA e Irã, avalia internacionalista

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Enquanto as tratativas entre Irã e Estados Unidos para o fim do conflito seguem travadas, com o Estreito de Ormuz ainda no centro da disputa, representantes de Israel e do Líbano realizam nesta quinta-feira (23) uma nova rodada de negociação em Washington, com sinalização de um possível acordo.

Nesta quinta-feira (23), o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o tom das declarações ao dizer que o país tem “total controle do Estreito de Ormuz” e declarar que autorizou a Marinha a atirar em embarcações que ofereçam risco no canal, colocando minas na região.

Ricardo Leães, professor e pesquisador de Relações Internacionais, a declaração é mais uma tentativa de Trump de passar a impressão que está dando as cartas, mas não há efeito algum do ponto de vista de um encerramento do conflito. “O bloqueio naval é guerra. Efetivamente estamos muito longe (de um acordo). Até o momento, nós temos apenas um lado que está vencendo, que é o lado iraniano”, analisa.

Com relação à negociação envolvendo os outros dois atores principais do conflito no Oriente Médio, Israel e Líbano, o governo de Benjamin Netanyahu declarou que vai manter as forças israelenses no território libanês mesmo com as negociações em curso, porque, segundo eles, o Hezbollah estaria ainda agindo na região.

Para Leães, a cisão entre a postura do governo libanês e do Hezbollah tem ficado cada vez mais evidente. O professor de Relações Internacionais considera que essa situação enfraquece o Líbano nesse processo de negociação e o próprio Irã, apoiador do grupo.

“A grande questão é que os EUA estão buscando há muito tempo um acordo de cessar-fogo com o Irã e o Irã, desde o início, afirmou que não faria qualquer tipo de acordo que não envolvesse o Líbano”, avalia.

Leães destaca o sistemático desrespeito por parte de Israel com relação à trégua acordada entre EUA e Irã. Isso se dá, como já é de conhecimento, por uma diferença de objetivos na guerra e indica que Israel não cederá.

“Não podemos esquecer que Israel realizou avanços territoriais no sul do Líbano e não cedeu espaço nesse sentido. Israel havia determinado mesmo em meio ao cessar-fogo que os libaneses não voltassem para as suas casas. O fato é que nós temos hoje um novo espaço no sul do Líbano dominado por Israel. E isso não é a primeira vez que é observado na história. Em 1982, Israel realizou uma grande ofensiva chegando até Beirute onde permaneceu até o ano 2000. Sabemos que o governo de extrema direita de Israel tem pretensões de avanço territorial no Líbano. É de se lamentar o papel que está desempenhando o governo libanês que ao invés de unir forças para enfrentar Israel, está buscando um tipo de acomodação”, critica.

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