O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta quarta-feira (28) o colar da Ordem Nacional Manuel Amador Guerrero, a mais alta condecoração do Estado panamenho. O brasileiro se reuniu com o chefe do Executivo do Panamá, José Raúl Mulino, e, além de agradecer a condecoração, defendeu a neutralidade na administração do Canal do Panamá.
“Encaminhei ao Congresso Nacional a proposta de adesão formal ao protocolo de neutralidade do canal. Defender a neutralidade do canal é defender um comércio internacional justo”, afirmou o presidente Lula.
O encontro entre os dois aconteceu logo após a abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, realizado no Panamá. Lula havia dito durante a reunião que era preciso garantir a neutralidade na gestão do canal e evitar conflitos em uma zona importante para toda a região.
A defesa do canal se dá em resposta aos movimentos que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem feito desde que tomou posse em janeiro de 2025. O republicano ameaçou “recuperar” o controle total do Canal do Panamá sob argumento de que seu país o construiu e, portanto, nunca permitiria que este caísse “em mãos equivocadas”, em referência à China, que nada tinha a ver com a administração do canal.
Além disso, ele considerava muito altas as tarifas cobradas pela administração do canal, que está nas mãos dos panamenhos desde 1999, data acordada nos tratados assinados pelo ex-presidente americano James Carter e pelo general panamenho Omar Torrijos em 1977.
Entre outros argumentos, Trump alega que 38 mil estadunindenses morreram na construção do Canal do qual se apoderou os Estados Unidos.
Durante seu discurso, Lula também reforçou que é preciso superar desentendimentos entre os governos de diferentes espectros políticos para ampliar o comércio entre os países da região.
“Falta a compreensão do que é uma atividade política. O presidente não faz negócios, mas ele abre as portas para quem faz negócios”, disse.
O Panamá é o principal parceiro comercial do Brasil na América Central. Em 2025, a balança comercial entre os países cresceu 72%. No encontro desta quarta, os dois presidentes também discutiram a facilitação comercial entre as nações e a entrada do Panamá como estado-associado do Mercosul, além de acordos para o transporte de cargas e a conclusão do procedimento sanitário para importação de carne brasileira.
Lula disse que a realização de eventos como o Fórum Econômico Internacional mostram que “com diálogo e pragmatismo é possível estabelecer um crescimento conjunto”. Além disso, ele também enfatizou a necessidade do fortalecimento de blocos regionais para que os países se protejam de choques externos.
História do canal
O Canal do Panamá foi inaugurado em 1914. No entanto, foi somente até o final de 1999 que o Estado do Panamá conseguiu manter o controle total da infraestrutura. Após décadas de reclamações, a transferência da administração do canal para o Estado panamenho foi estabelecida no tratado Torrijos-Carter, assinado em 7 de setembro de 1977 em Washington pelo líder panamenho, Omar Torrijos (1929-1981), e pelo presidente dos EUA, Jimmy Carter (1924-2024).
Nesse acordo, ficou estabelecido que, a partir de 31 de dezembro de 1999, o Canal do Panamá seria assumido pelo governo do Panamá.
Com 82 quilômetros de extensão, estima-se que de 13 mil a 14 mil navios cruzem o canal a cada ano. Atualmente, o canal gera cerca de 8% do PIB do Panamá e 24% da receita anual do Estado. Trata-se de uma das rotas que ligam os principais portos do planeta, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, e é estratégico para os Estados Unidos, pois 40% de seus contêineres passam por ali.

