O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (25), em Três Lagoas (MS), que a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) representa um passo para fortalecer a soberania nacional e reduzir a dependência brasileira de insumos importados.
A UFN-III teve as obras retomadas após reavaliação técnica e econômica da Petrobras. Paralisada desde 2015, a unidade receberá investimentos superiores a R$ 5 bilhões. A expectativa é de geração de cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos durante as obras. Com operação prevista para 2029, a fábrica terá capacidade para produzir 3.600 toneladas de ureia granulada e 2.200 toneladas de amônia por dia, atendendo parte da demanda nacional por fertilizantes.
Durante a cerimônia que marcou a retomada do empreendimento da Petrobras, incluída no Novo PAC, Lula também defendeu o papel estratégico da estatal no desenvolvimento do país e criticou privatizações realizadas nos últimos anos.
O presidente afirmou que a paralisação da UFN-III por mais de uma década não tinha justificativa diante da necessidade do país de ampliar a produção nacional de fertilizantes. Dados divulgados pelo Ministério da Casa Civil afirmam que o Brasil importa 85% dos fertilizantes que utiliza. Segundo Lula, a interrupção da obra manteve o Brasil dependente destas importações e exposto às oscilações provocadas por conflitos internacionais.
“Não tem explicação para ninguém por que uma empresa dessa magnitude, que queria produzir fertilizante para ajudar no barateamento e na qualidade dos alimentos produzidos neste país, ficou parada 12 anos. Quando você tem quase 85% da estrutura de uma obra como essa, de repente para e fica 12 anos parada. E o Brasil pagando preços absurdos de fertilizantes que poderiam ser produzidos aqui no país”, disse o presidente.
Lula afirmou ainda que a retomada da fábrica faz parte de uma estratégia para ampliar a capacidade nacional de produção de fertilizantes e reduzir a dependência externa. “Eu ainda sonho que a gente vai ter acima de 70% de todo fertilizante que nós precisamos neste país, porque um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz”, declarou.
O presidente atribuiu a retomada do projeto à decisão da Petrobras de reassumir investimentos no setor e disse que a estatal deve desempenhar um papel estratégico para o desenvolvimento nacional. Segundo ele, embora a empresa tenha governança própria e participação no mercado de capitais, cabe ao governo discutir seu papel para o país. “O governo não tem ingerência na Petrobras. O que eu não abro mão é de discutir estrategicamente o papel da Petrobras no Brasil.”
Sobre os processos de privatização realizados nos últimos anos, Lula afirmou que o país não obteve ganhos com a venda de ativos da estatal e de outras empresas públicas. “O que o povo brasileiro ganhou? Qual foi a qualidade da energia que melhorou? Na verdade, vocês precisam ficar atentos, porque muita gente travestida de investidor, de gestor, na verdade é um vendedor de coisas públicas a preço de banana”, acrescentou o petista.
Ao defender a retomada da indústria nacional, o presidente citou a recuperação da indústria naval brasileira. O chefe de Estado lembrou que, durante seus governos anteriores, o setor chegou a empregar dezenas de milhares de trabalhadores e afirmou que a opção por importar equipamentos prejudicou a formação de mão de obra e a geração de empregos no país. “Comprar pode ser mais barato, mas você não forma mão de obra qualificada, você não paga salário, você não gera emprego, você não paga imposto para este país.”
Lula afirmou que a Petrobras tem papel que vai além da produção de petróleo e destacou a atuação da empresa na transição energética, na formação de profissionais e no desenvolvimento tecnológico. “A Petrobras é muito importante para o Brasil e para o mundo. A Petrobras é exemplo de empresa mundial capaz de prospectar petróleo em águas profundas.”
O presidente também relacionou o desenvolvimento econômico à expansão da educação técnica e universitária. Segundo ele, o aumento da competitividade do país depende da formação de profissionais qualificados em áreas como engenharia, matemática, física e tecnologia.
“O país não terá solução se a gente não tiver o nosso povo bem formado, altamente bem formado, com bases sólidas, para a gente ganhar competitividade em nível internacional.”
Lula também destacou a transferência de recursos federais para estados e municípios e afirmou que o desenvolvimento nacional depende do fortalecimento das cidades. Segundo ele, a retomada de obras públicas e programas habitacionais foi uma prioridade do governo após o retorno ao Palácio do Planalto.

