Lula entrega radioterapia em SP, CE e MT e zera estados sem o serviço no SUS

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O governo federal realizou nesta terça-feira (23) uma entrega simultânea de aceleradores lineares de alta tecnologia para o tratamento de câncer, contemplando três hospitais filantrópicos no país: o Hospital Santa Marcelina, na zona leste de São Paulo; o Instituto do Câncer do Ceará (ICC), em Fortaleza; e o Hospital Santo Antônio, em Sinop, no Mato Grosso.

Com a consolidação destas entregas, o Ministério da Saúde atingiu uma marca histórica: a partir de agora, 100% dos estados brasileiros contam com pelo menos um centro de radioterapia integrado à rede pública.

A ampliação da infraestrutura faz parte do programa Agora tem Especialistas e do Novo PAC Saúde, somando um investimento que ultrapassa os R$ 166 milhões em ações de modernização e custeio assistencial. “O que nós queremos é que, independentemente do lugar onde mora, da cor, da religião, do partido, todos tenham direito a um tratamento igual, justo e de boa qualidade”, declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a solenidade central realizada na capital paulista.

Redução nas filas de espera

A entrega do novo acelerador linear no Hospital Santa Marcelina substitui um aparelho antigo e gera impacto imediato no atendimento à população da zona leste de São Paulo, região que concentra cerca de 4,5 milhões de habitantes.

A diretora-presidente da instituição, Irmã Rosane Ghedin, detalhou que a oncologia representa cerca de 30% das internações do hospital, com a realização de 2.400 cirurgias oncológicas e mais de 28 mil sessões de quimioterapia por ano.

De acordo com a diretora, o Santa Marcelina atende anualmente cerca de 1.600 pacientes em radioterapia. Com a chegada da nova tecnologia, a estimativa é elevar esse patamar para 2.160 pacientes por ano, um crescimento superior a 30% na oferta do serviço.

“O tempo médio de espera para o início da radioterapia, que hoje pode chegar a 45 dias, será reduzido para aproximadamente 7 a 10 dias”. Rosane enfatizou ainda que isso se traduz em diagnósticos tratados com maior rapidez e mais chances de sucesso terapêutico.

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, esteve presente na solenidade e elogiou a parceria de 65 anos entre o poder público e a congregação das Irmãs Marcelinas na assistência à saúde paulista. Alckmin ressaltou a agilidade que o tratamento oncológico demanda: “A velocidade faz diferença no tratamento do câncer. Quanto mais rápido o diagnóstico, quanto mais rápido o tratamento, salva vidas.”

Ceará e Mato Grosso

Por meio de transmissão ao vivo, as autoridades de saúde e gestores locais comemoraram as inaugurações no Ceará e em Mato Grosso. Em Fortaleza, no Instituto do Câncer do Ceará, o secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Mozart Sales, explicou que o novo equipamento utiliza a técnica de hipofracionamento para aplicar um menor número de doses de radiação.

“Isso aumenta em 30% a capacidade de atendimento”, explicou Sales. O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, também celebrou o reforço institucional: “Estamos fortalecendo o Sistema Único de Saúde aqui da nossa cidade e do nosso estado”.

Já em Sinop, João Carlos Girard, representando o Hospital Santo Antônio, destacou a importância humanitária de fixar o serviço de saúde no interior do estado. Atualmente, os pacientes de câncer da região precisam enfrentar viagens exaustivas até Cuiabá para conseguir atendimento. “Sendo 1.000 quilômetros, ida e volta, e no extremo norte do estado os pacientes se deslocam até 2.000 quilômetros. Esse aparelho vai trazer um alento a essas famílias”, relatou Girard.

Reconstrução mamária e saúde nas periferias

Durante o evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que as aquisições do programa marcam a maior compra mundial de equipamentos de radioterapia, totalizando 105 aparelhos em três anos.

O ministro também destacou um novo avanço histórico voltado à saúde da mulher: a criação de uma nova tabela do Agora tem Especialistas para procedimentos de reconstrução mamária após a mastectopia, que passa a pagar aos hospitais até oito vezes mais do que o valor anterior. “Pela primeira vez no SUS, em 2025, nós fizemos mais cirurgias de reconstrução mamária do que mastectomia”, informou Padilha.

Ao encerrar o ato público, o presidente Lula relembrou os gargalos do SUS que geram as longas filas por consultas médicas especializadas e exames, justificando a criação do programa. Lula anunciou que, até o final do ano, o governo colocará em circulação 150 carretas adaptadas de exames, com foco na saúde da mulher, e 800 vans odontológicas para realizar o atendimento direto nas periferias e estradas brasileiras.

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