O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca, na tarde desta quarta-feira (6), para os Estados Unidos, onde se reunirá com o presidente Donald Trump na Casa Branca. O encontro oficial, confirmado para esta quinta-feira (7), marca uma tentativa de aproximação entre Brasília e Washington, com uma pauta que deve focar na cooperação em segurança pública e parcerias comerciais.
Um dos objetivos da comitiva brasileira é propor um plano conjunto de combate ao crime organizado transnacional, tema que foi levantado por Lula em uma ligação com Trump em dezembro do ano passado. O governo brasileiro busca cooperação técnica e de inteligência para enfrentar o tráfico de drogas e armas, temas que têm impacto direto na segurança das periferias e no controle das fronteiras nacionais.
Além da pauta de segurança, a agenda econômica deve ocupar grande parte das discussões. O Brasil busca atrair investimentos.
No entanto, a aproximação tem gerado alertas entre especialistas em política externa. Em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fatona última segunda-feira (4), Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), avaliou como temerária a reunião em meio a negociações sobre terras raras, minerais essenciais para a tecnologia de ponta e a transição energética.
A análise aponta que o interesse dos Estados Unidos nesses recursos pode colocar o Brasil em uma posição de vulnerabilidade estratégica. Segundo o especialista, o governo brasileiro precisa ter cautela para que a cooperação econômica não resulte em uma entrega de soberania sobre recursos minerais fundamentais para o futuro industrial do país.
A expectativa é de que, após a reunião privada entre os dois líderes, seja divulgado um comunicado conjunto detalhando os acordos firmados e os próximos passos da cooperação bilateral entre os dois países. Lula deve retornar ao Brasil na sexta-feira (8).

