Há quanto tempo você tem conhecimento sobre a maconha? A humanidade conhece a cannabis há milhares de anos e, com o tempo, foi aprendendo a extrair dessa planta uma enorme quantidade de benefícios.
Mas vamos falar de 2026. O abril verde, marcado pelo 4/20, reforça que o debate sobre a cannabis já ultrapassou o tabu e hoje se impõe como pauta de saúde, desenvolvimento e justiça social. Hoje, com o acúmulo de saberes ancestrais e o avanço da ciência, sabemos que, além de um recurso terapêutico para diversas condições de saúde, a cannabis é também um gênero agrícola com capacidade concreta de contribuir para a sustentabilidade ambiental e para o desenvolvimento industrial.
A cannabis tem capacidade de proteção e de nutrição do solo na entressafra de outras culturas agrícolas e a qualidade e a versatilidade de suas fibras na indústria, tornam a planta um ativo econômico relevante e acessível, que muito pode contribuir para o desenvolvimento socioeconômico de várias regiões.
No estado do Rio de Janeiro, que vive uma crise econômica persistente e tem desigualdades territoriais profundas, a construção de uma cadeia produtiva da cannabis poderia abrir novas frentes de dinamização econômica e cumprir um papel relevante tanto no interior do estado quanto em áreas periféricas urbanas, integrando produção agrícola, beneficiamento industrial e pesquisa científica.
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Eu acredito e defendo que o Rio de Janeiro tem condições de incorporar a cannabis a um planejamento econômico consistente, guiado por evidências e menos atravessado pela desinformação e pelo moralismo. Já chega, né?
Na última semana, até o ultraconservador presidente dos Estados Unidos reclassificou a maconha como droga menos perigosa. Provavelmente, o presidente dos EUA, Donald Trump, não tem as mesmas preocupações sociais que nós, mas capitalista que é, reconhece o gigantesco impacto econômico que a planta traz.
Estamos falando de potencial de arrecadação, de geração de empregos e de fortalecimento da pesquisa, com impactos diretos na vida da população fluminense. Mas também estamos falando de reparação histórica. Ao longo de quase dois séculos desde a primeira proibição no Brasil, as políticas de drogas produziram violência, encarceramento em massa e a destruição de territórios inteiros, atingindo de forma desproporcional a população negra e periférica.
Trazer a história para a conversa é fundamental para pensar modelos de desenvolvimento mais justos que criem oportunidades justamente para os territórios e as populações mais impactadas pela falta de um planejamento socioeconômico sério e pela violência que preencheu o vazio deixado pela ausência do Estado. A realidade é que a cannabis pode ajudar o Rio de Janeiro e isso é um fato. Neste domingo, estive caminhando junto à Marcha da Maconha, no Jardim de Alah. Mesmo com chuva, ocupamos as ruas com o lema: legalizar, para não colher chacinas. Mas a luta não termina na marcha.
Seguimos esse debate também nas instituições. No dia 7 de maio, às 13h30, realizaremos uma audiência pública na Alerj para discutir a cannabis como vetor de desenvolvimento socioeconômico no estado e apresentar um livro com pesquisas sobre o tema. O encontro é aberto e reúne quem está comprometido em transformar esse debate em política pública concreta.
Precisamos e muito avançar no tema longe dos tabus e hipocrisias. Porque mudar a política de drogas também é decidir que futuro queremos construir para nosso estado e nosso país. E aí, vamos queimar essas ideias antigas?
*Dani Monteiro é deputada estadual (Psol/RJ) e presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil do Fato.

