Mais de 8 mil crianças estão desaparecidas ou sob escombros em Gaza, aponta centro palestino

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Mais de 8 mil crianças palestinas estão desaparecidas na Faixa de Gaza, incluindo cerca de 2.700 que permanecem sob escombros de áreas atingidas por bombardeios israelenses. O dado é do Centro Palestino para Pessoas Desaparecidas Forçosamente, que alerta para o agravamento da crise humanitária entre a população infantil no território.

Segundo o relatório, ao menos 21.510 crianças já foram mortas desde o início dos ataques israelenses, há cerca de 29 meses. A entidade afirma que o Dia da Criança Palestina, celebrado em 20 de novembro, ocorrerá em um cenário de “crise sem precedentes”, com impacto direto e desproporcional sobre os mais jovens.

O levantamento também identifica cerca de 200 casos de crianças desaparecidas sem qualquer informação sobre seu paradeiro, o que levanta suspeitas de desaparecimentos forçados ou de que tenham sido alvo direto das forças israelenses.

De acordo com a organização, muitos dos desaparecimentos ocorreram em situações de extrema vulnerabilidade, como durante tentativas de acessar ajuda humanitária, buscar alimentos, recolher lenha ou retornar a casas destruídas pelos bombardeios.

Infância sob ataque

Segundo o Centro Palestino para Pessoas Desaparecidas Forçosamente, testemunhos de pessoas que estiveram detidas e foram posteriormente libertadas indicam que crianças desaparecidas podem ter sido submetidas a abusos durante o período de detenção.

A permanência de milhares de corpos sob os escombros também é apontada como uma grave violação da dignidade humana, além de aprofundar o sofrimento das famílias que seguem sem respostas.

O centro atribui a responsabilidade às forças de ocupação israelenses e afirma que os números evidenciam violações ao direito internacional humanitário. Organizações e especialistas têm classificado a ofensiva como genocídio, avaliação baseada na escala da destruição e no impacto sistemático sobre a população civil.

A crise enfrentada pelas crianças se insere em um cenário de colapso das condições de vida em Gaza. Ataques recentes seguem atingindo áreas civis: nesta segunda-feira (6), ao menos dez pessoas foram mortas em um bombardeio israelense próximo a uma escola que abrigava deslocados no campo de refugiados de Maghazi, no centro do território.

Ao mesmo tempo, a infraestrutura educacional foi amplamente destruída. Dados da ONU indicam que mais de 90% das escolas foram danificadas, deixando mais de 700 mil crianças e adolescentes sem acesso regular ao ensino. Antes da guerra, Gaza tinha uma das maiores taxas de alfabetização do mundo.

A juventude também enfrenta um cenário de colapso econômico. Com cerca de 80% de desemprego e restrições severas impostas pelo bloqueio israelense, jovens palestinos vivem sem acesso a trabalho, educação ou perspectivas de futuro, em um território onde a maioria da população tem menos de 30 anos.

Diante desse quadro, o Centro Palestino para Pessoas Desaparecidas Forçosamente cobra ações urgentes da comunidade internacional e da ONU, como a criação de corredores seguros para resgate, envio de equipamentos e abertura de investigações independentes para localizar as crianças desaparecidas.

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