Neste domingo (8), a mobilização pelo Dia Internacional de Luta das Mulheres no Rio de Janeiro acontece na praia de Copacabana, na Zona Sul, a partir das 10h. A organização do ato este ano envolveu a participação de mais de 80 entidades, entre sindicatos, movimentos populares e organizações feministas, além de mandatos parlamentares.
“Estamos nas escolas, nos hospitais, nas periferias, nos movimentos sociais, nos sindicatos, nos territórios. Somos nós que seguramos o mundo quando tudo parece desabar. Mas nós não aceitamos mais sobreviver. Nós queremos viver e viver com dignidade”, explica ao Brasil de Fato a professora Duda Quiroga.
A linha política do 8 de março reflete sobre pautas urgentes como fim do feminicídio, mais orçamento para políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher, soberania dos povos, contra o imperialismo e o fascismo, e o fim da escala 6×1 sem redução de salário.
“Não há bem viver quando a mulher trabalhadora, como nós, sai de casa antes do sol nascer e volta quando seus filhos já estão dormindo. Não há emancipação com exaustão. Queremos redução das jornadas, sem redução de salários. Queremos tempo para viver, amar, estudar e descansar. Queremos o bem viver, não a lógica da exploração sem fim”, afirma a dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
:: Quer receber notícias do Brasil de Fato RJ no seu WhatsApp? ::
“As mulheres seguirão sendo a ponta de lança que abre caminhos para um novo mundo, para um novo tempo. Vamos às ruas pela vida e pelos direitos, pelo futuro, porque quando as mulheres se levantam, a história muda de rumo e é preciso mudar a vida das mulheres para mudar o mundo e é preciso mudar o mundo para mudar a vida das mulheres”, completa Quiroga.
Em defesa da vida
O chamado tem como foco a defesa da vida em meio ao recorde nos casos de feminicídios no Brasil. Só em 2025, foram 1.568 mulheres vítimas, um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
No Rio de Janeiro, 399 foram mortas no período de 2021 a 2025. O cenário é agravado quando se leva em conta a subnotificação dos casos de violência contra a mulher em suas diversas formas: física, psicológica, sexual, patrimonial. Muitas ainda deixam de procurar ajuda por dependência financeira do companheiro, medo de serem culpabilizadas e até mesmo repercussão em outros aspectos da vida.
A mobilização ainda aponta para o governo do estado. “Dizemos ainda com todas as letras Cláudio Castro nunca mais. Não aceitamos governo que desmonta políticas públicas, que ataca servidoras, que abandona mulheres nas periferias”.
Denuncie
A violência contra a mulher pode ser denunciada pelo serviço 190 da Polícia Militar; pela Central de Atendimento à Mulher, Ligue 180; pelo Disque Direitos Humanos, Disque 100; e pelas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.
Serviço
Marcha 8M em Copacabana
Data: domingo (8)
Horário: 10h
Local: concentração no Posto 3

