Aos 27 anos, o presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Diego Zeidan, acompanha de perto as ações de seu pai, Washington Quaquá, no terceiro mandato como prefeito de Maricá. Com um orçamento elevado – em 2026 o orçamento previsto é de R$ 7,36 bilhões – o município é um laboratório de políticas públicas bem-sucedidas que Zeidan, como presidente estadual, pretende levar para os âmbitos estadual e nacional.
Zeidan já ocupou o cargo de secretário municipal de Economia Solidária e na sequência, foi eleito como vice-prefeito na gestão de Fabiano Horta (PT). Ele permaneceu no cargo até março de 2023, quando assumiu a então recém-criada Secretaria de Economia Solidária e Desenvolvimento na prefeitura do Rio de Janeiro e no ano seguinte foi secretário de Habitação, cargo que ocupou até assumir a presidência estadual no final de 2025.
Brasil de Fato – Uma das experiências mais inovadoras da cidade é a moeda social, o Mumbuca. Como nasce essa proposta?
A moeda social começou, diga-se de passagem, antes de Maricá ter royalties, antes de Maricá ter recurso. Então, começou a partir de uma vontade política de colocar o povo no orçamento. A gente construiu um programa municipal de transferência de renda, igual ao Bolsa Família e criou uma moeda própria para poder pagar a transferência de renda só aqui no município.
Com isso, a gente criou um banco comunitário para atender a população desbancarizada e oferece microcrédito para apoio ao empreendedorismo, além de realizar oficinas de educação financeira. E o banco hoje é uma grande potência.
Maricá foi a primeira cidade com mais de 100 mil habitantes a implantar a Tarifa Zero, uma pauta que tem ganhado escala para a campanha eleitoral deste ano. Vocês têm acompanhado a discussão nesse âmbito?
Maricá foi pioneira na implementação da Tarifa Zero. Então, acho que o exemplo já é natural. Aqui no Rio, a gente já tem vários municípios que também estão seguindo os passos de Maricá como Japeri, Itaboraí e Magé.
A influência de Maricá a nível nacional veio, quando (Washington) Quaquá era deputado federal e lançou, junto com o (deputado federal) Jilmar Tatto, a Frente Parlamentar da Tarifa Zero, junto a outros deputados. Então, hoje o Tatto está à frente dessa discussão em Brasília e o próprio Lula já declarou que quer colocar como pauta dessa próxima campanha e como meta do próximo governo a implementação da Tarifa Zero a nível nacional. Então, acho que é Maricá dando exemplo para o Brasil e para o mundo.
Esse programa foi em parte possibilitado pelos recursos dos royalties do petróleo, mas também estamos preparando a cidade para a economia do pós-petróleo, porque Maricá hoje é uma cidade muito dependente de royalties. Então a gente também está investindo em empreendimentos turísticos e nossos esforços são para que a gente possa atrair indústrias, atrair outras cadeias econômicas para a cidade que não dependam da economia do petróleo.
Como presidente estadual do PT, quais são as principais ações e preocupações neste ano de 2026?
Esse ano, por ser um ano eleitoral, o partido fica muito voltado para as eleições. Então, a nossa prioridade número um no Rio é a eleição do presidente Lula. A gente não quer cometer o erro que foi cometido em 2022 de restringir a campanha do Lula a um campo minoritário da política.
Então, a gente tem procurado amplas alianças dentro do Estado do Rio. Manter a aliança com o Waguinho de Belford Roxo, a aliança com o Eduardo Paes já é a nossa aliança prioritária hoje. A gente vê o Eduardo Paes como o principal palanque para ampliar a votação do Lula no governo do Estado.
E já começamos a discutir internamente no grupo de trabalho eleitoral do partido as nominatas. A gente está com uma nominata boa, que vai ampliar a votação em relação à última. Temos candidatos que não vieram na última e que estão vindo nessa.
Além do Lindbergh, que já é deputado federal, do Reimont, do Dimas, a gente tem a candidatura do Marcelo Freixo. Anielle Franco que não foi candidata, agora será. Assim como Tainá de Paula e Rubens Bomtempo, de Petrópolis, que se filiou ao PT. Então, a nominata cresceu bastante. Está muito forte para esta eleição.

