A terceira edição da Marsha Trans Brasil começa neste sábado (24), em Brasília, com uma programação que reúne manifestações de rua, debates políticos, atividades culturais, encontros institucionais e ações formativas. Inserida no mês da Visibilidade Trans, a mobilização consolida a capital federal como espaço de articulação nacional pela garantia de direitos e pelo enfrentamento à transfobia.
A programação da Marsha Trans Brasil 2026 foi estruturada para ocupar diferentes espaços da cidade e dialogar com múltiplas dimensões da luta trans, indo da celebração cultural à incidência política direta. As atividades se distribuem ao longo de quatro dias, reforçando o caráter nacional da mobilização e ampliando a atuação junto ao poder público e à sociedade civil.
No primeiro dia, acontece o Bailinho Trans, a partir das 12h. A atividade marca o início simbólico da Marsha com um espaço de encontro, acolhimento e celebração da cultura trans que vai reunir ativistas, artistas e participantes de diferentes regiões do país.
Ao longo do dia, também estão previstas ações voltadas a jovens e crianças trans, suas famílias, além de agendas integradas à Jornada do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (IBRAT), reforçando o caráter intergeracional da mobilização. No mesmo dia, a comissão organizadora realiza uma reunião interna de coordenação, dedicada ao alinhamento político, institucional e logístico das ações que se desdobram ao longo da semana.
Manifestação
No domingo (25), acontece o principal ato público da Marsha Trans Brasil. A partir das 13h, a mobilização ocupa o espaço em frente ao Congresso Nacional, reunindo milhares de pessoas em uma combinação de protesto político, intervenções artísticas e manifestações culturais. O ato integra oficialmente a agenda da Visibilidade Trans nacional e tem como objetivo denunciar retrocessos, reivindicar políticas públicas e reafirmar a centralidade da pauta trans na democracia brasileira.
A programação cultural inclui apresentações de artistas trans e aliados, com destaque para o show da cantora Pepita, confirmada como atração principal do palco da Marsha.
Incidência política
No dia seguinte, segunda-feira (26), a programação aprofunda o diálogo institucional e a formação política. Pela manhã, ocorre o I Fórum Nacional das Marchas Trans, espaço dedicado à troca de experiências entre organizações e coletivos de diferentes estados, com foco na construção de estratégias nacionais de mobilização.
Em seguida, acontece o II Fórum Nacional de Transmasculinidades Negras e Periféricas, que amplia o debate sobre raça, território e gênero, destacando demandas específicas historicamente invisibilizadas. Ambas as atividades são realizadas na Câmara Federal, reforçando a ocupação simbólica e política do Legislativo.
Ainda no dia 26, a programação inclui uma agenda voltada a ativismos e famílias em defesa da juventude trans, acompanhada do lançamento de pesquisas nacionais e de dossiês que subsidiam a incidência política do movimento. À tarde, está prevista uma reunião com a ONU Mulheres, na Casa da ONU, voltada à articulação de políticas públicas e cooperação institucional.
O dia se encerra com uma agenda de Visibilidade Trans Nacional junto a representantes do Executivo federal e do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, além do lançamento de publicações estratégicas, como o Dossiê ANTRA 2026 e o guia “Todas as Mulheres”.
Brasil sem transfobia
No dia 27 de janeiro, a Marsha Trans Brasil encerra sua programação com o Seminário sobre Educação, a partir das 9h, na sede da OAB-DF, em parceria com a OAB Diversidade. O encontro debate inclusão escolar, permanência de estudantes trans, enfrentamento à evasão e o papel das instituições jurídicas e educacionais no combate à discriminação. Após o seminário, as delegações iniciam o retorno às cidades de origem, levando consigo as articulações construídas ao longo da mobilização.
Inspirada no legado da ativista trans negra Marsha P. Johnson, referência histórica da Revolta de Stonewall e do cuidado coletivo com pessoas trans em situação de vulnerabilidade, a Marsha Trans Brasil 2026 adota como tema “Brasil soberano é país sem transfobia”. Segundo a organização, a programação reflete um processo de construção coletiva e reafirma a ocupação de Brasília como ferramenta política central para fortalecer a presença trans nos debates públicos, institucionais e sociais.
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Serviço
Ato público da 3ª edição da Marsha Trans Brasil
Data: domingo (25)
Horário: a partir das 13h
Local: em frente ao Congresso Nacional


