A relação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli com o caso envolvendo o Banco Master ficou ainda mais escancarada nesta quinta-feira (12), quando, em nota, o magistrado assumiu ter participação na empresa Maridt, citada nas investigações. Ele, no entanto, negou administrar a empresa.
A publicação foi divulgada pelo gabinete do ministro. A Maridt fez parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro, que era dono do resort Tayayá, no Paraná, até 21 de fevereiro de 2025. Na ocasião, a Maridt deixou a administração do local após vender as cotas que ainda tinha para a PHB Holding. Antes, a Maridt já havia vendido parte de suas cotas para o Fundo Arleen, em setembro de 2021.
Segundo a nota, todas essas movimentações foram declaradas à Receita Federal e foram registradas “dentro de valor de mercado”. O resort era frequentado pelo ministro e por amigos. Os irmãos de Toffoli, José Eugênio Dias Toffolli e José Carlos Dias Toffoli, integravam a Maridt quando o resort foi comprado.
O envolvimento com o Banco Master se dá por duas frentes. Primeiro porque o Fundo Arleen era gerido pela empresa Reag, ligada ao banco. O segundo ponto é o fato de o resort também ter como sócio o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira investigada por lavagem de ativos.
O texto publicado pela equipe de Toffoli afirma que a atuação dele está em conformidade com a Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que proíbe somente que magistrados exerçam atos de gestão. A legislação autoriza que os ministros integrem o quadro societário de empresas e permitem até o recebimento de dividendos.
Toffoli é justamente o relator da investigação sobre o Banco Master no STF. A publicação da nota pela equipe de Toffoli vem na esteira do encaminhamento de um relatório da Polícia Federal (PF) ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo a suspeição da relatoria de Toffoli.
O pedido foi feito, na última segunda-feira (9), após a PF informar a Fachin que encontrou uma menção ao nome de Toffoli em uma mensagem no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que é investigado no inquérito e teve o aparelho apreendido durante busca e apreensão. A menção está em segredo de Justiça.
Após ser informado do caso, Fachin abriu um processo interno e determinou a notificação de Toffoli para apresentar defesa. Caberá ao presidente do STF decidir se Toffoli continuará como relator da investigação do Master.
As menções à Toffoli no caso do Banco Master foram identificadas pela PF durante a operação Compliance Zero, que investiga as fraudes financeiras da instituição liquidada pelo Banco Central em novembro.
O gabinete de Toffoli disse que essas menções são “ilações” ao nome do magistrado e disse que não há motivo para a suspeição do ministro no caso.

