A base política do Governo do Distrito Federal (GDF) sofreu um novo abalo nesta quarta-feira (20) após o MDB sinalizar um distanciamento da governadora Celina Leão (PP). O movimento foi articulado pelo ex-governador Ibaneis Rocha, o deputado federal Rafael Prudente, o presidente da Câmara Legislativa Wellington Luiz e o presidente nacional do MDB Baleia Rossi (MDB-SP), em reunião realizada na residência de Ibaneis para mandar um recado direto ao Palácio do Buriti.
Principal sustentação política da atual gestão, o MDB tenta recalcular a rota diante do desgaste provocado pela crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e pelo aumento das críticas à condução do governo.
Durante o encontro, Ibaneis Rocha adotou um tom de cobrança e afirmou, em depoimento publicado nas redes sociais, que o partido precisa reavaliar o apoio irrestrito dado à antiga aliada. “Infelizmente, nos últimos dias tivemos muitas decepções. Isso não quer dizer rompimento, mas um realinhamento de posições, porque o MDB é um partido grande e vai continuar sendo um partido grande”, afirmou.
A declaração foi interpretada nos bastidores como uma tentativa de blindar o MDB do desgaste político da atual gestão. Baleia Rossi (MDB-SP), afirmou que o partido exige protagonismo na chapa majoritária de 2026 e não aceita ocupar papel secundário no processo eleitoral.
“Não há hipótese de o MDB ficar fora da chapa majoritária, seja com candidato a governador, ao Senado ou ambos. É uma decisão da base que terá apoio nacional”, declarou.
Aliança por conveniência
Na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), o afastamento foi recebido com críticas da oposição. O deputado distrital Fábio Felix (Psol-DF) classificou a movimentação como uma tentativa de fugir da responsabilidade política pela situação atual do DF.
Segundo o parlamentar, Ibaneis e Celina fazem parte do mesmo projeto político e compartilham os desgastes acumulados nos últimos anos. “É todo mundo farinha do mesmo saco. É esse projeto político liderado pelo ex-governador Ibaneis Rocha e pela atual governadora que de alguma forma colocaram a gente nessa situação de crise institucional.”
Felix também criticou o que chamou de tentativa de apagar a participação do MDB na condução do governo. Para ele, problemas como filas no SUS, obras paradas e a crise no BRB não podem ser atribuídos apenas à atual governadora. “É inaceitável que essas pessoas ajam como se tivessem feito algo certo numa cidade com obras paradas, fila no SUS e a destruição do nosso banco público.”
Fuga da responsabilidade
O deputado distrital Max Maciel (Psol-DF) também questionou a rapidez do afastamento político. Para ele, o MDB tenta se antecipar ao agravamento da crise envolvendo o BRB e outros desgastes do governo. “Ninguém rompe em 45 dias só porque está insatisfeito com uma gestão. Tem alguma coisa aí que o MDB já viu e não quer colar a imagem”, avaliou.
Maciel afirmou ainda que o governo não apresentou soluções concretas para enfrentar os problemas financeiros do banco público. Segundo ele, propostas apresentadas ao Banco Central envolvem terrenos com restrições ambientais e pouca viabilidade prática.
“Os terrenos apresentados tinham problemas e não avançariam porque envolvem áreas sensíveis ambientalmente e importantes para políticas públicas.”
O deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF) avaliou que o racha dentro da base governista expõe a fragilidade da aliança construída em torno do grupo político que governa o Distrito Federal desde 2019. “Política é igual nuvem. Quando você olha de novo, ela já mudou. Esse rompimento do Ibaneis é positivo.”
A oposição acredita que o enfraquecimento da relação entre MDB e governo pode abrir caminho para o avanço de pedidos de investigação sobre as contas do BRB dentro da CLDF. Parlamentares esperam que deputados da própria base passem a apoiar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
“Quem sabe agora com esse rompimento sai a CPI que nós estamos querendo aqui na Câmara Legislativa? Espero que a bancada do MDB assine agora a CPI para que a gente possa fazer esse estudo que é muito importante”, afirmou o parlamentar.
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