Mais de 300 mulheres negras de diferentes regiões do Rio Grande do Sul serão homenageadas neste ano com a Medalha Preta Roza, iniciativa da deputada estadual Laura Sito (PT) que chega à sua segunda edição como parte das atividades do Julho das Pretas. A cerimônia ocorre no próximo sábado (13) a partir das 14h, no Centro de Eventos Barros Cassal (Rua Dr. Barros Cassal, 220), em Porto Alegre, e deve reunir representantes de mais de 90 municípios gaúchos.
Criada para reconhecer trajetórias marcadas pelo protagonismo, pela resistência e pela contribuição social de mulheres negras, a honraria contempla lideranças que atuam em diferentes áreas, como política, cultura, educação, saúde, academia, segurança pública, assistência social e movimentos comunitários.
A expectativa é superar os números da edição anterior, ampliando o alcance da homenagem em todo o estado. Para a deputada Laura Sito, idealizadora da medalha, a continuidade da iniciativa demonstra a importância de valorizar histórias que frequentemente permanecem invisibilizadas.
“Chegar à segunda edição da Medalha Preta Roza é a confirmação de que essa iniciativa responde a uma necessidade histórica de reconhecimento das mulheres negras gaúchas. No ano passado, tivemos a oportunidade de homenagear centenas de trajetórias marcadas pela resistência, pela liderança e pela transformação social. Agora, ampliamos esse alcance, chegando a mais municípios e reconhecendo ainda mais mulheres que, todos os dias, constroem o Rio Grande do Sul a partir dos seus territórios, muitas vezes sem a visibilidade que merecem”, afirma.
A entrega da medalha integra a agenda nacional de mobilização em torno do Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. A data tem sido marcada por ações que destacam a luta contra o racismo, o sexismo e as desigualdades que afetam mulheres negras em toda a América Latina.
Segundo Sito, a homenagem vai além de um reconhecimento individual e busca contribuir para a valorização da memória coletiva e da participação histórica das mulheres negras na construção da sociedade brasileira.
“Mais do que uma homenagem, a Medalha Preta Roza é um gesto de memória, reparação e valorização. Ao carregar o nome de uma heroína negra da história gaúcha, a iniciativa conecta a luta de quem resistiu no passado com a atuação de mulheres que seguem abrindo caminhos no presente. Reconhecer essas trajetórias é afirmar que não há futuro para o nosso estado sem o protagonismo das mulheres negras e sem o devido reconhecimento de suas contribuições para a sociedade”, destaca.
Resgate de uma heroína negra gaúcha
O nome da medalha presta homenagem a Preta Roza, personagem histórica da resistência negra no Rio Grande do Sul. Escravizada e integrante do quilombo de Manoel Padeiro, na década de 1830, ela atuou como combatente armada e estrategista na luta contra a escravidão.
Relatos históricos apontam que Preta Roza chegou a se vestir como homem para circular por espaços de poder e obter informações que auxiliavam a organização quilombola. Sua trajetória lhe rendeu comparações com a Rainha Nzinga, liderança angolana conhecida pela resistência ao colonialismo europeu.
Preta Roza foi morta em combate em 16 de junho de 1835 e, apesar da relevância de sua atuação, permaneceu por décadas ausente das narrativas oficiais sobre a história gaúcha. Ao resgatar sua memória, pontua a deputada, a medalha estabelece uma ponte entre a resistência do passado e as contribuições das mulheres negras que seguem transformando a realidade do estado.
A programação contará ainda com o lançamento de uma obra dedicada à trajetória da guerreira quilombola. O livro “Preta Roza” reúne ilustrações do cartunista, ilustrador e artista visual Alisson Affonso e roteiro e textos assinados por Vera Macedo e Duda Keiber.
A publicação busca ampliar o acesso à história da personagem e contribuir para a valorização da memória negra no Rio Grande do Sul, especialmente entre as novas gerações.

