O Reino Unido aprovou uma lei que proíbe a venda de tabaco, derivados e cigarros eletrônicos para pessoas nascidas a partir de 2009. O texto aprovado pelo Parlamento é chamado “Lei de Tabaco e Vapes” e tem por objetivo evitar que pessoas dessa faixa etária, hoje com 17 anos, adquiram o hábito de fumar.
Em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fatoa médica Margareth Dalcolmo, pneumologista da Fiocruz e membro da Academia Nacional de Medicina, considera a decisão histórica, mas afirma que ela precisa ser transformada em política de Estado “para não ficar à mercê de mudanças governamentais”.
A pneumologista conta que a decisão vem corrigir uma grave falha no país, que havia adotado uma política de redução de danos equivocada. “Isso é uma espécie de redenção para o sistema de saúde do Reino Unido, que foi responsável por uma medida infeliz tomada já há alguns anos de fornecer cigarros eletrônicos para pessoas maiores de 18 anos que quisessem parar de fumar. Isso foi um tiro no pé, porque ninguém que passa do cigarro convencional para o eletrônico para de fumar. A adição da nicotina se dá de maneira quase imediata nos dispositivos eletrônicos, por causa da concentração”, destaca.
Dalcolmo explica a importância de considerar a faixa etária na proibição, uma vez que os adolescentes são os mais impactados pelo ilusório glamour do cigarro, em especial os eletrônicos, chamados de vape.
“Essa é a faixa etária que precisa ser mais protegida, porque ainda não foi tão exposta e, ao ser exposta, começa a ser muito adicta. Há estudos que mostram que crianças e adolescentes, quando expostos a cigarros, ficam adictos em cinco dias”, alerta. No caso dos vapes, a situação é ainda pior, segundo a especialista, já que o nível de concentração de nicotina nesses aparelhos chega a ser 100 vezes maior que um cigarro convencional. “É grave essa situação. Por isso essa faixa etária tem que ser a mais protegida, antes que ela fique doente”, avalia.
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