Após mais de sete anos de relações rompidas entre Estados Unidos e Venezuela, as embaixadas de ambos países voltaram a funcionar nesta segunda-feira (30). O Departamento de Estado do governo estadunidense afirmou que o ato marca um novo capítulo na relação diplomática entre as duas nações, embora o presidente constitucional do país, Nicolás Maduro, e sua esposa, a deputada nacional Cilia Flores, continuem em cativeiro, após seu sequestro no dia 3 janeiro pelas forças estadunindenses.
“Hoje, estamos retomando formalmente as operações na Embaixada dos EUA em Caracas, marcando um novo capítulo em nossa presença diplomática na Venezuela. (…) A retomada das operações na Embaixada dos EUA em Caracas é um marco fundamental na implementação do plano de três fases do Presidente para a Venezuela e fortalecerá nossa capacidade de interagir diretamente com o governo interino da Venezuela, a sociedade civil e o setor privado”, disse o Departamento de Estado no comunicado.
No sábado, 28 de março, a missão diplomática venezuelana também hasteou a bandeira nacional em Washington. O evento simbolizou a recuperação das sedes diplomáticas da Venezuela em solo estadunidense. O mesmo edifício havia sido ocupado por apoiadores do governo venezuelano, após os Estados Unidos reconhecerem como presidente da Venezuela o então deputado Juan Guaidó. O objetivo do grupo era impedir a entrada de representantes da oposição.
O coletivo permaneceu no local por cerca de um mês, período em que enfrentou cortes de energia elétrica e bloqueio da entrada de mantimentos. Algumas pessoas chegaram a ser presas ao tentarem levar comida para os ocupantes da sede diplomática. Na manhã de 16 de maio, a polícia de Washington e agentes do Serviço Secreto entraram no prédio e prenderam os ativistas que ainda permaneciam no local.
Nas redes sociais, o embaixador venezuelano nos EUA, Félix Plasencia, celebrou a retomada da sede diplomática. “Mais do que uma mera formalidade, o hasteamento da bandeira nacional em 28 de março presta homenagem a Francisco de Miranda, precursor da emancipação latino-americana, no 276º aniversário de seu nascimento, e comemora seu legado de independência e soberania que permanece vivo na pátria venezuelana”, escreveu o diplomata.
Novos embaixadores
Como parte das mudanças promovidas pela presidente interina, Delcy Rodíguez, o embaixador da Venezuela na Organização das Nações Unidas (ONU), Samuel Moncada, foi substituído pela então ministra do Comércio Exterior, Coromoto Godoy, na última quarta-feira (25), após permanecer mais de sete anos no cargo. Godoy é diplomata de carreira e vista como uma boa interlocutora com o governo de Washington.
Antes, em fevereiro, a presidenta interina havia designado o diplomata Félix Plasencia como embaixador da Venezuela nos Estados Unidos. Também diplomata de carreira, Placencia atuou ao lado de Rodríguez quanto ela ocupava o cargo de ministra das Relações Exteriores do país, entre 2014 e 2017.

