Militantes históricas, Sônia Braga e Clara Charf são homenageadas no 8º Congresso do PT

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A abertura do 8º Congresso do Partido dos Trabalhadores (PT), nesta sexta-feira (24), foi marcada por homenagens a duas figuras centrais na história da legenda: Sônia Braga e Clara Charf. As trajetórias das militantes, construídas ao longo de décadas de atuação política, foram lembradas como exemplos de compromisso com a organização popular e a luta social.

Fundadora do PT, ex-presidenta estadual no Ceará e ex-secretária nacional de Organização, Sônia Braga foi destacada como uma das principais referências na estruturação partidária. Sua atuação esteve diretamente ligada às bases, com forte presença nas lutas por moradia, agricultura familiar e organização das comunidades populares. Sônia faleceu em março de 2026.

Ao relembrar sua trajetória, o secretário de Relações Institucionais, José Guimarães, enfatizou o legado político e humano da dirigente. “Nem todos aqui conviveram com ela, mas foram mais de 40 anos de dedicação ao partido, de lealdade e compromisso com o povo”, afirmou.

Segundo ele, a militante construiu sua atuação nas periferias de Fortaleza, especialmente nas comunidades do Pirambu. “Ela entregou sua vida ao PT, sempre na linha de frente da luta por moradia e pelos direitos do povo”, disse.

Guimarães também destacou a firmeza de Sônia nos momentos mais desafiadores do partido. “Ela nunca vacilou. Sempre dizia que o PT é maior do que todos nós, porque é do tamanho do Brasil”, relembrou. Ele ainda mencionou os últimos anos de vida da dirigente, marcados pela luta contra a doença. “Mesmo diante das dificuldades, sua preocupação até o fim foi com o partido e com o futuro da luta”, completou.

A cerimônia também prestou homenagem a Clara Charf, ativista histórica e companheira de vida de Carlos Marighella. Militante desde a juventude, ela iniciou sua trajetória no Partido Comunista Brasileiro (PCB), enfrentando a clandestinidade e a repressão durante a ditadura militar instaurada em 1964.

Em vídeo exibido durante o evento, Clara foi lembrada como símbolo de resistência. “Clara era coragem, luta e resistência desde sempre. Sua história começa antes da militância, marcada por valores ligados à dignidade humana”, destacou a homenagem.

Já no PT, teve papel decisivo na organização das mulheres e na ampliação da participação feminina no partido, contribuindo para a criação da Secretaria Nacional de Mulheres. Ao longo de sua trajetória, também atuou na defesa da memória, da verdade e da justiça, além de se dedicar à promoção dos direitos das mulheres.

O reconhecimento de sua atuação ultrapassou as fronteiras do país. Clara integrou a iniciativa 1000 Women for the Nobel Peace Prize, que reuniu mulheres de diferentes partes do mundo em defesa da paz.

Ela morreu aos 100 anos, em 2025, deixando um legado de um século de engajamento político e social. Durante a homenagem, seu nome foi reafirmado como referência para as novas gerações. “Sua história não termina aqui. Clara segue viva como exemplo de coragem, luta e resistência”, concluiu o vídeo.

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