Morre Renato Rabelo, ex-presidente do PCdoB e dirigente histórico do partido

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Faleceu no domingo (15), aos 83 anos, Renato Rabelo, um dos mais importantes dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em sua história centenária. Ele foi presidente do PCdoB de 2001 a 2015. Nos últimos três anos, Rabelo dedicou-se ao tratamento de um câncer, mas sem deixar de contribuir com o partido. Ele deixa a esposa, Conceição Leiro Vilan (Conchita), e os filhos, André e Nina.

Em 1º de abril de 2016, Renato Rabelo assumiu a presidência da Fundação Maurício Grabois, na qual liderou e participou de iniciativas no estudo e enfrentamento dos fenômenos que surgiram naquele conturbado período do país. Em 2025, foi laureado presidente de honra da fundação.

Integrante do núcleo nacional de direção do PCdoB por mais de meio século, tornou-se uma das referências do campo democrático e da esquerda. Foi exilado na França, na conjuntura da Chacina da Lapa, em 1976, quando dirigentes do PCdoB foram assassinados, presos e torturados. Retornou ao Brasil com a anistia de 1979. Nesse período, conviveu com João Amazonas, histórico ideólogo e construtor do PCdoB, e outros dirigentes comunistas. Iniciou, então, a trajetória de formulador teórico, organizador e dirigente do partido.

Sua respeitabilidade se firmou também no cenário internacional. Participou ativamente de debates e elaborações, visitou organizações comunistas, revolucionárias e patrióticas de vários países, e recebeu, no Brasil, diversas lideranças, fortalecendo laços de amizade e cooperação, tendo como fio condutor a luta anti-imperialista. Dedicou-se, em especial, ao fortalecimento das relações do PCdoB com os países socialistas, notadamente, China, Vietnã e Cuba.

Sua maior obra é o aporte de ideias e formulações ao acervo teórico, político e ideológico do partido. A isso se soma a formação de quadros comunistas, papel em que Rabelo teve atuação destacada, seja na Escola Nacional João Amazonas, seja na estrutura do partido, seja nas frentes de atuação, notadamente no movimento estudantil.

Rabelo foi um dos articuladores, pelo PCdoB, junto com João Amazonas, da Frente Brasil Popular (PT, PSB, PCdoB) que lançou, em 1989, a primeira e marcante candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente da República, jornada que seria vitoriosa com a eleição de Lula em 2002.

O presidente Lula, na apresentação da biografia de Rabelo, Vida, ideias e rumosescreveu que ele era “uma das figuras mais relevantes da história política do Brasil”. “Um homem que dedicou sua vida à luta por justiça social, igualdade e soberania nacional, princípios que são caros a todos nós que acreditamos em um país mais inclusivo e democrático.”

A ex-presidente Dilma Rousseff afirmou, também nesse mesmo livro, que Renato Rabelo era “um baiano doce de alma revolucionária, que segue o melhor da tradição comunista, combinando ação e pensamento, teoria e combate, comprometido com o desenvolvimento nacional, a emancipação do povo brasileiro e a construção do socialismo”.

Em nota, o PCdoB afirma que “Renato deixa uma rica produção política, teórica e ideológica, um magnífico exemplo de vida e de militância política, um acervo responsável pelo engrandecimento do PCdoB, pela sua respeitabilidade e pela sua força como organização protagonista na luta política nacional e internacional.”

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