Morre Vladimir Sacchetta, aos 75 anos, pesquisador e defensor dos direitos humanos

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Morreu, nesta sexta-feira (15), o jornalista, pesquisador, escritor e defensor das causas sociais Vladimir Sacchetta, aos 75 anos. Segundo familiares, Vladimir passou mal durante a noite, adormeceu e morreu dormindo.

Com uma trajetória de militância de esquerda, Sacchetta, que era filho do dirigente comunista Hermínio Sacchetta, transformou a perseguição política em luta pela preservação documental.

Era formado em Direito pela Universidade de São Paulo e em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Documentou, entre outros projetos, as famosas greves do ABC e o ressurgimento do movimento sindical, conectando o antigo sindicalismo de influência anarquista e comunista com as novas forças operárias do final da década de 1970.

Durante a ditadura militar, serviu como ponte para a denúncia internacional dos crimes cometidos pelos militares que comandavam o Estado brasileiro. Depois, contribuiu com o projeto “Brasil: Nunca Mais”.

Seu nome é uma homenagem direta a Vladimir Lenin, mas o pesquisador defendeu o trotskismo brasileiro.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) publicou nota nas redes sociais, lembrando que Sacchetta “fez parte da construção e da fundação da Escola Nacional Florestan Fernandes, contribuindo com compromisso, generosidade e dedicação à formação política e à luta popular”.

A Fundação Perseu Abramo também se manifestou, lamentando “a partida do lutador Vladimir Sacchetta”, destacando que “Sacchetta foi muito importante para a memória e história da esquerda”, que “construiu um imenso banco de iconografia sobre a luta de trabalhadores e trabalhadoras, contribuindo fortemente para registro da luta da esquerda brasileira”.

O Instituto Vladimir Herzog lembrou sua atuação conjunta com o instituto. “Seu trabalho ajudou a transformar documentos dispersos e ameaçados em patrimônio coletivo da memória democrática brasileira”.

O velório vai ocorrer neste sábado (16), das 10h às 12h, no Galpão do MST, na Alameda Eduardo Prado, 474, na Barra Funda, zona oeste da capital paulista.

De lá, segue para a cerimônia de cremação na Vila Alpina, na Avenida Francisco Falconi, 437, no Jardim Avelino, na zona leste da cidade.

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