O aumento dos protestos populares pelo Haiti escancara a insatisfação da população com o governo de Alix Didier Fils-Aimé, que tem amplo apoio do governo Donald Trump. Conhecido como Dia do Trabalho — e não Dia do Trabalhador e Trabalhadora, como é conhecido em outros locais —, o 1º de maio no país foi marcado por mobilizações que denunciaram a falta de manutenção das estruturas do país e pediam melhoria na qualidade de vida e a saída de Aimé.
A correspondente do Brasil de Fato no Haiti, Cha Dafol, lembra que, na França, o país que colonizou o Haiti, a data também é chamada de Dia do Trabalho, adotando o ponto de vista do empregador. “O dia 1º de maio também é uma data em que se celebra o dia da agricultura ou do camponês. O Haiti ainda tem e sempre teve a sua principal riqueza produzida pela agricultura. Cerca de 40% da população vive no campo”, conta.
“Por mais que não tenham ido para a rua, porque é muito mais difícil mobilizar o campo nas condições atuais do país com os problemas de deslocamento, os movimentos camponeses se solidarizaram publicamente com essas lutas sindicais e lutas populares no país, apoiando essas reivindicações de aumento salarial dos operários e chamando também a uma troca de governo urgente. É a soberania do país, a soberania do povo haitiano”, relata Cha Dafol.
Ela destaca que muitas das mobilizações acabam acontecendo de forma descentralizada e até mesmo com características espontâneas, uma vez que a informalidade no país é muito grande, chegando a quase 90% dos trabalhadores, e isso acaba dificultando articulações por meio de representações das categorias, como sindicatos.
“(Por essa razão) os sindicatos não representam toda a população, mas é muito importante que eles estejam se mobilizando, porque eles estão à frente dessas reivindicações sociais. E a gente viu recentemente funcionários públicos das alfândegas, por exemplo, que entraram em greve, dos hospitais que entraram em greve. A gente tem uma mobilização que vem crescendo com uma ausência total de resposta por parte do governo”, destaca
Dafol também comenta uma carta conjunta que diversas empresas assinaram, denunciando os problemas estruturais do país. Entre elas, a distribuidora da Coca-Cola. “Elas denunciam coisas simples e, ao mesmo tempo, muito graves, como, por exemplo, o fato de a polícia não conseguir fazer a segurança, não conseguir intervir nos conflitos que afetam estradas pelo país, onde há situações perigosas de emboscadas e tal. Eles denunciam coisas muito concretas, o que é um sinal de estarem soltando a mão do governo. Então, a gente tem que ficar muito atento a isso, porque eram os principais aliados do governo aqui dentro do país”, explica.
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