Não ‘basta querer’: influenciadora derruba mitos do universo fitness com informação qualificada

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Entre os influencers fitness nas redes sociais, é muito comum encontrar discursos recheados de clichês motivacionais — e mentirosos — como “basta querer” e “todos temos as mesmas 24 horas”. Na prática, a maioria da população não tem exatamente todo esse tempo para cuidar do corpo, especialmente quando marcadores de raça, classe e gênero são incluídos nessa conta.

Ao Entrevista com BdFa educadora física em formação e produtora de conteúdo digital Raquel Bressanini defende que é preciso rebater esse discurso com informação qualificada. “A desinformação já está nas redes sociais, então a informação também precisa estar. Tem os desafios, às vezes bate um desânimo enorme, porque realmente você se sente nadando contra uma maré e parece que é uma batalha que nunca vai ser vencida”, afirma.

“A gente não pode também individualizar os problemas, porque tem coisas que são estruturais, que são muito maiores do que a gente. Mas acho que a ideia central, pelo menos para mim, é tentar fazer um conteúdo verdadeiro, genuíno e que fuja dessa massificação que a gente vê hoje em dia, de uma espécie de mercantilização da saúde, protocolos milagrosos prontos e tudo mais.”

Bressanini critica a ideia de que o exercício físico tem a função de fazer com que as pessoas conquistem o “corpo ideal”. Primeiro porque é um conceito que não abarca todos os benefícios da atividade física. Depois, porque ele atende a um padrão que, na nossa sociedade, especialmente no caso das mulheres, diz respeito à magreza.

“O exercício físico acaba virando só um meio para um fim. E o fim é ficar magro a qualquer custo e o exercício é só um facilitador para isso. Mas eu acho que o exercício físico é tão rico, ele proporciona tantas coisas para a gente. E aqui estou falando mentalmente, fisicamente…Então, desde coisas simples no meu dia-a-dia, assim, hoje mesmo eu estou ficando aqui na casa de uma amiga minha que tem escada. Toda hora eu preciso ficar subindo e descendo para para ir para o quarto, para a cozinha, enfim. E é muito legal perceber que eu não me canso, eu consigo fazer as atividades, meu corpo me permite realizar muitas coisas, que com certeza se eu não não fizesse exercício físico regularmente, eu estaria muito mais fragilizada, mais fraca, menos resistente”, pontua. “Às vezes, eu estou num dia que me sinto mais ansiosa ou algo do tipo, eu consigo espairecer, eu consigo me sentir melhor depois de fazer exercício físico.”

Segundo a pesquisa nacional de saúde do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 47% das mulheres do Brasil não atingem o nível mínimo recomendado de atividade física, contra cerca de 32% dos homens. Para Bressanini, além do recorte de gênero, há também um recorte social e racial importantes. “A gente tem essa disparidade, a disparidade salarial real, social, lugar que vive. Tudo isso conta muito também. Se a pessoa tem acesso a uma a uma área urbana com mais segurança, com saneamento básico, com perspectiva de você sair na rua e poder fazer uma corrida ali tranquila, com certeza vai facilitar muito o acesso e a consolidação do comportamento do exercício físico na vida da pessoa. Agora, se a gente tem, por exemplo, uma mulher negra que pega duas horas para ir, duas horas para voltar de condução, aí vai, às vezes, vai limpar a casa de alguém, é um trabalho braçal, chega em casa, ainda tem que cuidar dos próprios filhos e aí o dia já acabou”, avalia.

Para ouvir e assistir

Ó Entrevista com BdF vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo.

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