‘Não se pode confiar’: ataque contra Irã mostra que não há diálogo seguro com EUA, diz analista iraniana

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O ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã na manhã deste sábado (28) demonstra a impossibilidade de manter um diálogo seguro com potências que utilizam a guerra como ferramenta de pressão política, segundo a analista geopolítica e jornalista iraniana Elham Abedini, em entrevista ao Brasil de Fato.

“Eu quero dizer que, embora isso não tenha sido surpreendente, foi mais uma vez uma evidência para mostrar o quanto os Estados Unidos e o regime israelense são atores em que ninguém pode confiar. É completamente uma violação do direito internacional. Isso é um alerta para qualquer país da região”, afirma Abedini.

A analista chama a atenção para o fato de o conflito iniciar em meio a negociações entre os países sobre a política nuclear. Autoridades dos Estados Unidos e do Irã afirmaram que tiveram avanço significativo nas negociações nucleares realizadas em Genebra nesta quinta-feira (26).

Em janeiro, o governo iraniano solicitou uma sessão urgente do Conselho de Segurança ao alegar que o país está sob “agressão”. Desde o ano passado, a relação entre os Estados Unidos e o Irã vem tensionando, enquanto Donald Trump acusa Teerã de buscar armas nucleares e anuncia novas sanções.

Em junho do ano passado, Washington realizou ataques contra três instalações nucleares iranianas, incluindo a usina subterrânea de enriquecimento de urânio em Fordow, o que desencadeou outro capítulo de conflito entre os dois países que durou 12 dias.

“Desta vez, novamente, estamos na mesa de negociações, exatamente como na última guerra de 12 dias, tentamos chegar a um acordo. Muitos oficiais dos Estados Unidos e do Irã disseram que a negociação foi completamente positiva e que estávamos perto de chegar a um acordo. Então, de repente, vimos que os Estados Unidos lançaram uma guerra contra o Irã”, acrescenta,

Abedini também afirma que o conflito representa uma tentativa de mudar o regime iraniano por meio da força e um alerta para a instabilidade em toda a região. “Após uma guerra de 12 dias que o regime israelense e os Estados Unidos nos impuseram, e o que eles chamam de cessar-fogo, estamos sempre esperando pelo lançamento de uma guerra contra nós. Isso não significa que esperamos entrar em uma guerra. Absolutamente não”, diz.

“Mas estava claro que eles tentam alcançar seu objetivo final, e seu objetivo final é a mudança de regime. Esta é a coisa sobre a qual eles falam claramente e confessam. Portanto, até que não consigam isso, eles usam quaisquer ferramentas, tais como sanções, atividades terroristas e este tipo de guerra militar para alcançar esse objetivo”, conclui a analista.

Autoridades de todo o mundo reagiram ao ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã a despeito das negociações diplomáticas em andamento entre Washington e Teerã.

O governo brasileiro condenou os ataques e expressou “grave preocupação” com os ataques. “Um processo de negociação entre as partes”, diz o comunicado, “é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil”, diz outro trecho.

Até o momento, pelo menos 51 pessoas morreram no Irã, sendo a maioria estudantes. De acordo com a autoridade local Mohammad Radmehr, o ataque atingiu diretamente uma escola em Minab, cidade do sul do Irã, onde havia cerca de 170 estudantes no momento. As equipes de resgate ainda atuam no local, e o número de vítimas pode aumentar.

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