Uma expedição liderada pela Sociedade Geográfica Real Canadense, em parceria com a Instituição Oceanográfica Woods Hole, obteve as primeiras imagens dos destroços do Busca — o último navio do famoso explorador antártico Sir Ernest Shackleton, naufragado no Mar do Labrador por mais de seis décadas.
Para os registros, o levantamento contou com a participação do submersível tripulado Alvin — o primeiro veículo desse tipo a visitar os destroços do Titanichá cerca de 40 anos — e de um ROV (veículo operado remotamente), equipado com câmeras e sensores para explorar grandes profundidades.
Segundo a pesquisa, grande parte do navio ainda é visível, incluindo a proa, o convés e algumas vigias, enquanto o mastro principal estava caído. Todo o naufrágio estava repleto de corais rosados e diversas espécies de peixes, incluindo bacalhau, peixe-vermelho e peixe-lobo.
“Ver o navio de Shackleton e pensar que Shackleton estava naquele convés há um século. No início, havia muita escuridão, mas de repente a proa surge à medida que você se aproxima. É incrível”, disse John Geiger, líder da expedição e CEO da RCGS.
Os destroços do Quest foram descobertos em 2024 pela Expedição Shackleton Quest, liderada pela RCGS, mas, na época, apenas imagens de sonar de varredura lateral foram obtidas.
Geiger queria retornar ao local com tecnologia de imagem mais avançada e veículos subaquáticos para aprender mais sobre o que aconteceu com o navio e seu estado atual. Quando a equipe da expedição observou os destroços pela primeira vez, viu várias grandes redes de pesca obscurecendo partes do Busca.
Expedições
Após as novas imagens, a equipe passará três dias realizando levantamentos e mapeamento do naufrágioutilizando a tecnologia de fotogrametria subaquática Voyis, fabricada no Canadá, para criar uma réplica digital permanente do local para estudos futuros e divulgação pública.
Ainda em julho deste ano, a equipe navegará para nordeste em direção à Groenlândia para examinar um segundo naufrágio icônico com ligações à chamada Era Heroica da exploração antártica, o “Terra Nova” —, que foi o último navio do rival de Shackleton, Robert Falcon Scott. Scott foi o segundo a chegar ao Polo Sul em 1912, cinco semanas depois de uma expedição norueguesa liderada por Roald Amundsen, mas morreu na viagem de retorno junto com quatro de seus homens.
Ambos os navios têm ligações com o Canadá, tendo atuado como navios de caça às focas em águas canadenses. Inicialmente, Shackleton pretendia levar o Busca ao Ártico canadense antes de mudar o foco para a Antártica.
A expedição é composta por uma equipe internacional de especialistas, incluindo o caçador de naufrágios David Mearns, a arqueóloga marinha Cora Annamaiya Norling (Njord Center, Museu Nacional da Dinamarca), a ecologista bentônica Kirstin Meyer-Kaiser (WHOI), o diretor de pesquisa Antoine Normandin (RCGS), o historiador e autor Jan Chojecki (autor de A Crônica da Missão ) e o historiador Geir Kløver (diretor do Museu Fram).
Quem foi Ernest Shackleton?
Ernest Shackleton foi um dos maiores exploradores polares do mundo e morreu a bordo do Busca em 1922, aos 47 anos. Ele foi a figura central de uma das histórias mais extraordinárias de sobrevivência humana, sendo famoso por ter salvado toda a sua tripulação após a perda do navio Resistência, que ficou dois anos preso no gelo do Mar de Weddell. Na época de sua morte, ele estava a caminho da Antártida naquela que seria sua última expedição.
Ó missão foi vendido para uma família norueguesa e passou os 40 anos seguintes caçando focas nas águas do Ártico. O navio estava terminando uma temporada no Mar de Labrador quando foi esmagado por blocos de gelo e afundou em 5 de maio de 1962.
*Sob supervisão de AR.

