A ocupação do Campus Norte da Universidade do Distrito Federal Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF), iniciada nesta semana, é o centro de uma queda de braço entre a comunidade acadêmica e a gestão de Ibaneis Rocha (MDB). Nesta sexta-feira (20), o movimento estudantil intensificou a paralisação com a instalação de barricadas e o início de um piquete, denunciando o que classificam como um processo deliberado de precarização e “asfixia orçamentária” da instituição.

Truculência e denúncias
A resposta da administração da universidade à mobilização foi marcada por episódios de hostilidade. Segundo a presidente do Diretório Central Acadêmico (DCA), Bárbara Oliveira, a reitoria tentou desmobilizar o ato com práticas de abuso e assédio moral.
“A primeira coisa que a administrativa da universidade fez foi vir com truculência, com abuso e assédio moral. Chamaram a polícia e o vice-reitor esteve aqui”, denunciou a liderança estudantil.
Oliveira afirmou ainda que, após a chegada da imprensa, o tom da gestão tornou-se mais ameno e uma reunião chegou a ser marcada, mas os gestores não compareceram. Atualmente, os estudantes temem que o governo solicite a reintegração de posse para retirar o movimento à força do local.
Recursos públicos e setor privado
O estopim da indignação é o contrato de R$ 110 milhões, firmado sem licitação, para o aluguel de um prédio do Centro Universitário Iesb, em Ceilândia, por cinco anos. Para o coletivo de juventude Afronte, a medida é um exemplo de como o governo prioriza o lucro empresarial em detrimento da educação.
“É uma decisão autoritária que transfere a universidade de um prédio público para um espaço alugado. Recursos que poderiam ampliar a assistência estudantil estão sendo drenados para contratos milionários”, destacou o movimento em nota.
Enquanto o GDF destina valores significativos ao setor privado, a infraestrutura própria da UnDF enfrenta dificuldades. O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) investiga o descumprimento, por parte do governo, dos repasses obrigatórios ao fundo da universidade, que somam uma retenção de R$ 219.281.957,00 entre 2022 e 2025. Essa “asfixia” pode ser vista na falta de iluminação, refeitórios e transporte para os alunos, conforme denunciado pelo deputado Gabriel Magno (PT-DF).
Críticas políticas e apoio à greve
O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) manifestou solidariedade à greve, criticando a gestão por “mudar campus por decreto” de forma autoritária. “Não há diálogo da atual administração com estudantes e professores. É preciso instituir os órgãos de participação, de forma paritária, escutando a comunidade acadêmica”, analisou o parlamentar.
Rodrigo Dias, presidente do PSB-DF, reforçou que a universidade parou porque o governo “virou as costas” para a educação.
Integrantes do movimento de apoio à greve afirmam que, diante da ausência de políticas de assistência e da falta de diálogo, “não há alternativa senão a luta”.
Procurado pela reportagem para se posicionar sobre as denúncias de assédio moral e a falta de transparência, o Governo do Distrito Federal não encaminhou resposta até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto.
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