Poucos dias distanciam duas tragédias contra a vida de uma criança e de um adolescente por conta da violência armada no Rio de Janeiro. A família de Bento Costa Petillo Bezze, de 12 anos, enterra nesta terça-feira (2) o corpo do menino no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte.
Bento morreu baleado enquanto brincava dentro do condomínio onde morava na Pavuna, perto da comunidade da Quitanda, na tarde de domingo (31). Ele estava com um grupo de crianças quando foi atingido, entre eles seu irmão, de 13 anos, que presenciou o momento.
Na noite de sábado (29), também na Zona Norte, um adolescente de 15 anos ficou ferido após ser atingido por uma granada na comunidade da Caixa D’Água. Ele relatou a familiares que o explosivo foi lançado por um drone. O jovem sofreu fratura exposta na perna.
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Os casos ainda não tiveram as circunstâncias esclarecidas, e estão sendo investigados pela polícia.
Segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado, os casos não estão em contextos isolados. Ao menos 778 crianças e adolescentes foram baleados nos últimos dez anos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Só este ano foram 20.
O Movimento Brasil Popular RJ apontou que, enquanto não houver estratégias de inteligência para combater organizações criminosas, a “política de morte continuará assolando a vida da população fluminense”.
“A guerra que envolve o poder paralelo, o tráfico de drogas, as milícias, a polícia e a extrema direita no Rio de Janeiro segue ceifando a vida de jovens e abalando profundamente a saúde física e mental dos moradores das favelas e periferias do estado”, ressaltou em nota.
Parlamentares fluminenses também reagiram com indignação à morte da criança. O deputado federal Tarcísio Motta (Psol-RJ) culpabilizou a falha histórica da política de segurança em proteger a população.
“São mais de 30 anos da direita governando o Estado, entupindo isso aqui de arma, sendo sócio de tudo quanto é grupo criminoso, oficializando o tiroteio como cotidiano, fortalecendo comandos e milícias e empilhando chacinas pra colher votos. Enquanto isso, mais uma família é dilacerada”, lamentou.
Na última semana, agentes da polícia militar “confundiram” ferramentas de trabalho com fuzil e mataram dois pedreiros no bairro Jardim Catarina, em São Gonçalo. Outro episódio recente de extrema violência vitimou um jovem de 25 anos, baleado enquanto fazia uma entrega na Ilha do Governador, Zona Norte.

