Novíssimo Edgar: ‘Componho do mesmo jeito que costuro’

Publicada em

“A música é como uma costura de retalhos: juntamos a batida jeans da bateria com aquele baixo parrudo para criar um figurino sonoro único”. É assim que o artista Novíssimo Edgar resume a vivência na música com muita criatividade neste episódio do podcast Sabe Som?apresentado por Thiago França.

“Eu acho que esse artista camaleão é uma coisa que eu ainda estou desvendando, entendendo também. Eu acho que eu não sou o primeiro, não sou o único. Tem muitos artistas que estão nessa, como eu posso dizer, nessa efervescência, nesse descamar, nessa coisa nova que não sabe o que é e está buscando”, reflete.

Após longa trajetória no rap, o artista lança um trabalho puxado pelo reggae, intitulado “Retroceder”. “Eu sinto como uma continuidade da pesquisa. Até saiu nas mídias como se o ’10 Grama’ fosse meu último disco de rap. Como se agora eu estivesse proibido de fazer rap, não vou mais fazer rap. Eu acho que é quase impossível. Foi até um pouco interessante, porque na sequência veio esse de reggae. Então gerou um hiato entre os gêneros. Mas ao mesmo tempo é isso, parece que eu não vou mais fazer rap. Eu penso rap, cresci num movimento hip hop, onde pra mim o Cavalo Marinho, manifestação cultural lá de Pernambuco, tem passos que parecem de b-boy”, avalia.

“O projeto Retroceder vira quase um resumo do que seria essa primeira etapa de reggae. Ela começa num lugar que vai se diluindo de um reggae com resquícios de rap.”

Edgar também desenvolve a tese das relações entre os samples, as composições e a costura. “Ando tentando fazer coisas que eu não sei fazer ainda. Crochê, por exemplo, bordado. É uma coisa que eu tô tentando aprender. Mas eu costuro muito mesmo, de pensar figurino, roupa. O meu trabalho figurativo, ele é tudo usado com tecido. Eu gero algumas imagens com retalho de tecido”, conta.

Ó podcast Sabe Som? vai ao ar toda sexta-feira às 15h e está disponível nas principais plataformas de áudio, como Spotify e YouTube Music.

Source link