Um novo navio de ajuda humanitária enviado pelo México chegou a Cuba nesta segunda-feira (18). São mais de 1.700 toneladas de alimentos — entre eles leite em pó e feijões —, além de produtos de higiene essenciais, que, segundo as autoridades, serão distribuídos prioritariamente para o atendimento de crianças e pessoas idosas.
As doações chegam em um momento em que a asfixia energética e econômica imposta pelos Estados Unidos gerou uma “enorme deterioração econômica e social na ilha”, afetando principalmente os setores mais vulneráveis do país.
Este é o quinto carregamento de ajuda humanitária enviado pelo México desde que, no final de janeiro, o governo dos Estados Unidos impôs a chamada “asfixia energética” contra Cuba. Diferentemente dos quatro envios anteriores — realizados por meio de navios da Marinha mexicana —, nesta ocasião o transporte foi feito por um navio mercante, o Asian Katra.
A ajuda humanitária foi coordenada pelo governo da presidenta mexicana Claudia Sheinbaum, com a participação de organizações civis do México. O carregamento também contou com a colaboração de entidades do Uruguai.
Durante o ato de recebimento em Havana, o embaixador uruguaio em Cuba, Juan Andrés Canessa Franco, destacou que a participação de seu país responde ao espírito de cooperação regional e solidariedade entre os povos latino-americanos.
O envio foi anunciado na segunda-feira passada, 11 de maio, pela presidenta Claudia Sheinbaum, que, ao ser questionada sobre o impacto do “bloqueio” na população cubana, afirmou que o México sempre se opôs a essa medida.
“Não estamos de acordo, nem estaremos jamais. Desde o primeiro momento, em 1962, quando foi proposto o bloqueio contra Cuba.” No mesmo sentido, ela assegurou que o México continuará enviando ajuda humanitária “a um povo que precisa dela”.
Guerra econômica
A chegada da ajuda humanitária a Cuba ocorre após os Estados Unidos ampliarem o caráter extraterritorial do bloqueio. No início de maio, Washington estendeu o alcance das sanções a pessoas, empresas ou entidades não americanas que mantenham relações comerciais com Cuba, especialmente em setores como energia, defesa, segurança e finanças.
As ameaças e sanções de Washington provocaram a retirada de um dos maiores investimentos estrangeiros no país: a mineradora canadense Sherritt, considerada um ator-chave nas exportações cubanas.
Além disso, as empresas de navegação internacionais CMA CGM (de origem francesa) e Hapag-Lloyd (de origem alemã) anunciaram a suspensão temporária de suas operações na ilha devido às novas sanções dos Estados Unidos. Estima-se que, em conjunto, ambas movimentem cerca de 60% do volume total do tráfego de carga marítima que entra e sai de Cuba.

