Isa Y Plá, Gel Venttannia, Lua Isa Y Plá e Waira Y Plá. Quatro mulheres, quatros gerações unidas pelo sangue e pela música. Cada uma em seu estilo e, ainda assim, mostrando o quanto a arte pode entrelaçar a vida e gerar encontros lindos entre mulheres e fazê-las empoderadas, juntas ou separadas.
Este artigo nasceu de uma vontade de fazer um documentário sobre esse poderio musical feminino numa mesma família. Tive a oportunidade de assistir a cada uma e fiquei pensando em como acordes e melodias foram se moldando em torno desses nomes.
Comecemos com Isa Y Plá. Com 85 anos, ela chega com seu piano clássico, é uma das pianistas mais respeitadas da história da música paraibana. Tocou em recintos povoados de figuras ilustres da política e da cultura pessoense. Quem sabe seu dedilhado tenha testemunhado decisões que impactariam na conjuntura da cidade num período bem efervescente? Não duvido. Além da música, Isa tem vasta atuação no teatro, como atriz e diretora.
Chegamos em Gel Venttannia, 63 anos. A voz rouca e forte, acompanhada de guitarra, baixo e bateria, ela vem de uma verve mais do rock, do folk, do blues. Risada de bruxa. Gel é uma força da natureza com suas composições sempre afiadas e performance marcante em qualquer palco que suba. Na maquiagem, a lágrima e a folha são sua marca registrada. Sim, ela também carrega o teatro em suas criações e seu repertório é múltiplo.
Vem Lua Isa Y Plá, 43 anos. Desde cedo, vendo a avó Isa Y Plá e a mãe, Gel, ela foi sentindo que não poderia deixar de seguir a música – ou foi o inverso? Em conversas, ela diz que foi tudo muito natural, sem nenhuma pressão. Quando viu, já dominava o violão. A voz aveludada passeia por ritmos mais regionais, como o forró, xotes. Vale acrescentar que Lua é multiartista, danada ela.
Vamos para Waira Y Plá, de 26 anos. Justamente quando pensei que o documentário poderia ser concluído com Lua, lá vem Waira. Voz melosa e suave, ela tem composições próprias que vão mais para o lado da MPB e pop. Assumidamente tímida, ela resolveu dar um passo à frente e fez jus à linhagem de onde veio. Ela brilha quando canta.
Agora, imaginemos as quatro dividindo o mesmo palco. Foi o que aconteceu recentemente em uma apresentação no Café da Usina. Dias antes, falei com Gel de conversarmos sobre a possibilidade de um documentário com as quatro gerações. Animada que só ela, já agendou um show com as quatro e o resultado foi maravilhoso!

Juntas e misturadas, cada uma ali mostrou sua potência, vocação e amor à música, à arte. As personalidades musicais de Isa Y Plá, Gel Venttannia, Lua Isa Y Plá e Waira Y Plá se entrelaçaram em um repertório forte, afetuoso e festivo. Mesmo tendo suas vertentes bem definidas, nenhuma dessas mulheres cabem numa caixinha, isso seria limitá-las – o que não é o caso. Assisti um vídeo bem legal com Lua e Isa tocando um reggae. Elas se completam.
Sobre o documentário ainda estou vendo como isso vai se desdobrar. Enquanto isso, fico no encanto que é ver uma família de mulheres muito fortes, unidas e de mãos dadas no compasso dessa ciranda bonita que é a vida.
*Rogéria Araújo é jornalista, pesquisadora para cinema, produtora cultural e editora do Instagram @so_para_os_raros.
**A opinião contida neste texto não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.
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