Do Cidadão Instigado à sua trajetória de carreira solo, o guitarrista cearense Fernando Catatau é um obcecado por timbres. O novo álbum da banda, homônimo e gravado entre 2020 e 2024, foi lançado em março deste ano e conta com participação de Juçara Marçal, Mateus Fazeno Rock, Jadsa e Ava Rocha ao longo de 13 inéditas músicas autorais.
Em conversa no podcast Sabe Som?apresentado por Thiago França, Catatau lembra do começo de tudo, quando veio em 1994 de Fortaleza (CE) para São Paulo (SP). “A gente veio de ônibus, eu lembro. Foi um chão. Mas, naquela época, eu já tinha vindo várias vezes de ônibus para São Paulo, porque eu gostava muito e queria sempre estar vindo, e passagem de avião não era uma coisa real. Então, eu era muito sangue nos olhos e vinha. Eu fiquei um ano e dois meses morando em São Paulo. Eu não tinha muitas coisas para fazer, mas aí foi o momento em que eu disse: ‘Cara, eu vou tentar compor coisas minhas’. E foi através até de uma música, uma música específica, que eu achei um caminho de compor e conseguir me expressar com a voz, porque antes eu só pensava como guitarrista”, conta. “E aí eu ouvi uma música que é do disco ‘Severino’, do Paralamas do Sucesso, que é uma música que tem o Tom Zé e o Linton Kwesi Johnson. Eles recitando duas poesias, cada um na sua parte. E quando eu ouvi o Tom Zé só falando e recitando, eu disse: ‘Cara, eu posso fazer também’”, lembra. A partir daí, surge o Cidadão Instigado.
Ele conta que começou a tocar guitarra nos anos 1980 depois de ir ao Rock In Rio. “Eu vi os guitarristas e pensei: ‘É isso que eu quero fazer’. Mas, em um primeiro momento, foi muito mais pela rebeldia”, revela. Pouco disciplinado com os estudos musicais, Catatau conta que desencanou e foi andar de skate, mas, pouco tempo depois, o destino o levou de volta para a música. “Eu fui pegar um exame, estava com tuberculose e me deram três meses de vida. Parei de surfar, parei tudo, fiquei em casa, e fiquei os três meses tomando remédio. Aí tinha violão em casa — sempre teve — e comecei a pegar de novo violão. Com isso eu tinha um grande amigo do skate e, um dia, ele me levou na casa dele, e o irmão dele apresentou as músicas, e eu fiquei muito emocionado, e disse que ele tinha que ter uma banda. E esse cara era o Junior Boca”, relata.
Catatau se define como um obcecado por pesquisar música e por sons e timbres. “Eu tinha um timbre específico que era o do Santana, que eu buscava. Depois, eu comecei a achar interessante esse lance de coisas diferentes, de um som diferente de buscar. Então, eu sempre tive esse lance. Para mim, estando o som da guitarra bom, eu consigo fluir com as coisas que eu quero fazer. Quando não está bom, não consigo, entendeu? Me desequilibra. Então, aí eu fiquei numa obsessão de achar o som perfeito durante toda a minha vida”, afirma.
Ó podcast Sabe Som? vai ao ar toda sexta-feira às 15h e está disponível nas principais plataformas de áudio, como Spotify e YouTube Music.
Ouça o episódio completo abaixo:

