Ofensiva contra portos russos ameaça abastecimento global de petróleo, diz analista

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Ataques de drones ucranianos a terminais de exportação de petróleo na Rússia podem reduzir a produção do país e pressionar preços no mercado global. É o que avalia Igor Ushkov, analista-chefe do Fundo Nacional de Segurança Energética da Rússia. “Se não conseguirmos exportar plenamente o nosso petróleo, teremos que reduzir o volume de produção”, afirmou Ushkov ao Brasil de Fato. “E isso acontece justamente quando os preços globais estão elevados, ou seja, perdemos a chance de colocar mais petróleo no mercado.”

O mais recente ataque ocorreu na madrugada desta quarta-feira (29), na cidade de Perm, e provocou um incêndio de grandes proporções na estação de produção e distribuição de petróleo da Transneft. A estação é um centro estratégico importante no principal sistema de transporte de petróleo da Rússia e distribui o combustível em quatro direções, incluindo para a Refinaria de Petróleo de Perm. Segundo relatos, quase todos os tanques de armazenamento ficaram em chamas.

Somente em abril, Tuapse — cidade portuária russa — sofreu três ataques. As ofensivas já causaram grandes incêndios e derramamentos de óleo no Mar Negro. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os bombardeios atingiram instalações de armazenamento de petróleo destinado à exportação. “A Ucrânia também está provocando instabilidade nesses mercados (globais)”, disse. O presidente russo, Vladimir Putin, classificou os ataques como uma séria ameaça ambiental.

Além do impacto direto sobre a Rússia, as ofensivas podem afetar o Cazaquistão. O país envia mais de 10 milhões de toneladas de petróleo ao sistema da Transneft, que escoa o produto para os mares Báltico e Negro — além do Consórcio do Oleoduto do Cáspio, que opera de forma separada. “Agora também pode haver menos petróleo russo, e até do Cazaquistão. Com isso, o mercado global perde petróleo russo, já perdeu parte do petróleo do Oriente Médio e pode perder também volumes do Cazaquistão. Isso cria um déficit adicional e pressiona os preços para cima no mercado internacional”, afirma Ushkov.

O analista ressalta, no entanto, que os efeitos ainda são limitados em termos estruturais. “Esses ataques são importantes, mas localizados. Eles pressionam a oferta e os preços, mas não mudam, por si só, a estrutura do mercado global”, afirma. O cenário se soma à escassez de petróleo do Oriente Médio em meio às tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, no conflito entre EUA e Irã.

Nesta quarta-feira o Kremlin também anunciou que as comemorações do Dia da Vitória, em 9 de maio, ocorrerão em formato reduzido, sem veículos e armamentos militares pesados — decisão justificada por razões de segurança.

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