ONU exige libertação ‘imediata’ de Thiago Ávila e ativista espanhol presos por Israel: ‘Incompatível com o direito internacional’

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A Organização das Nações Unidas (ONU) exigiu nesta quarta-feira (6) que o governo de Israel liberte, sem demora, o brasileiro Thiago Ávila e o hispano-palestino Saif Abu Keshek, ativistas capturados em uma flotilha que se dirigia a Gaza, exigindo ainda a apuração de denúncias sobre abusos físicos.

A dupla permanece em uma unidade prisional em Ashkelon (Israel) desde a última quinta-feira (30), ocasião em que a embarcação foi abordada por militares israelenses nas proximidades da ilha de Creta, em águas gregas.

“Israel deve libertar imediata e incondicionalmente os membros da Flotilha Global Sumud Saif Abu Keshek e Thiago Ávila, que foram detidos em águas internacionais e levados para Israel, onde continuam retidos sem acusações”, disse o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos da ONU, Thameen Al-Kheetan, em vídeo divulgado nas redes sociais.

Ávila é defensor de direitos humanos, ambientalista e já participou de outras iniciativas para denunciar o genocídio israelense.

“Não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária à população palestina de Gaza, que precisa urgentemente”, concluiu.

As embarcações partiram de portos na Itália, Espanha e França com a missão de desafiar o cerco e fornecer suprimentos ao enclave palestino, castigado pelo genocídio israelense que já dura mais de dois anos. A defesa dos detidos aponta a ocorrência de agressões por parte das autoridades de Israel e confirmou que ambos iniciaram uma greve de fome em protesto que se estende desde o dia da captura.

Kheetan denunciou os “relatos perturbadores de maus-tratos graves” e pediu uma investigação, insistindo que “os responsáveis ​​devem ser levados à justiça”.

“Fazemos um apelo para que Israel acabe com o uso da detenção arbitrária e de uma legislação antiterrorista ampla e vagamente definida, incompatível com o direito internacional dos direitos humanos”, declarou.

Enquanto Israel sustenta que os ativistas possuem ligações com o Hamas, os acusados refutam categoricamente qualquer envolvimento. Nesta terça-feira (5), o Tribunal de Ashkelon, sob decisão do juiz Yaniv Ben-Haroush, prorrogou a prisão de Thiago e de Saif até o próximo domingo (10).

Entidades de direitos humanos e organizações palestinas classificam a detenção como ilegal, denunciando o uso de violência física e psicológica contra ativistas detidos pelo governo israelense.

Em publicação nas redes sociais, o presidente Lula afirmou, nesta terça-feira, que a detenção do ativista brasileiro é injustificável e que representa uma séria “afronta ao direito internacional”.

“Por isso, nosso governo, juntamente com o da Espanha, que também teve um cidadão detido, exige que eles recebam plena garantia de segurança e sejam imediatamente soltos”, acrescentou o presidente.

Morte da mãe

Morreu na tarde desta terça-feira (5), em Brasília, Teresa Regina de Ávila e Silva, aos 63 anos, mãe de Ávila. Ela enfrentava um quadro de saúde delicado decorrente de uma longa batalha contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Em nota, a equipe de Thiago prestou homenagem à sua “alegria memorável” e à coragem com que enfrentou anos de enfermidade, sempre amparada pelo cuidado incondicional da família.

Teresa também era mãe de Luana de Ávila, vice-presidente do Sinpol-DF. O vínculo familiar era tão profundo que Thiago batizou sua filha de dois anos com o nome da avó. Em comunicado, o sindicato destacou o exemplo de amor e dignidade oferecido pela família até os últimos momentos. Detalhes sobre o velório e o sepultamento serão confirmados em breve.

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