Oposição critica legado de Ibaneis e gestão de continuidade com Celina Leão no governo do DF

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A renúncia do governador Ibaneis Rocha (MDB), formalizada no último sábado (28), marcou uma mudança abrupta no comando do Distrito Federal e abriu espaço para a posse da vice-governadora Celina Leão (PP), que assumiu o Executivo na manhã desta segunda-feira (30).

Parlamentares de oposição avaliam que o ex-governador deixa um legado de crises e um “futuro de incertezas” em âmbito político, orçamentário e caos nas políticas públicas. Nesse contexto, deputados distritais ouvidos pelo Brasil de Fato DF projetam um cenário desafiador para a nova governadora, que assume sob pressão política, fiscal e institucional.

A saída de Ibaneis ocorreu durante um evento simbólico em Ceilândia, maior Região Administrativa do DF, em meio às comemorações de 55 anos da cidade. Em discurso, o então governador destacou a escolha do local para encerrar sua gestão e elencou realizações ao longo do mandato. A assinatura do ato de renúncia aconteceu durante uma tradicional costelada na Praça da Bíblia, reunindo milhares de moradores.

Escândalos e poucos avanços em políticas sociais

A avaliação da oposição na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), no entanto, é majoritariamente crítica por acontecimentos que ocorreram durante os 8 anos de mandato da dupla Ibaneis e Leão. Para o deputado Ricardo Vale (PT), vice-presidente da CLDF, o governo foi marcado por desequilíbrios.

“O governo Ibaneis foi marcado por muitas obras, mas poucos avanços em políticas sociais, além de ter deixado problemas sérios na saúde, na mobilidade e a crise envolvendo o BRB”, afirmou. Segundo ele, Celina Leão assume com “desafios acumulados”, incluindo crise fiscal e o caso BRB/Master.

O deputado Chico Vigilante (PT) destacou ainda a necessidade de investigação sobre denúncias recentes envolvendo o entorno político do governo. “Considero que o caminho mais prudente e necessário é a instalação imediata de uma CPI na Câmara Legislativa”, declarou, ao defender apuração em até 90 dias sobre possíveis irregularidades.

Já o deputado Fábio Félix (Psol) criticou duramente o discurso de despedida de Ibaneis. “Deixa um futuro de incerteza, um rombo bilionário no BRB, déficit no orçamento e caos em várias políticas públicas”, afirmou. Ele também cobrou explicações sobre o que classificou como “o maior escândalo de fraude bancária da história do Brasil” se referindo ao roubo no banco do BRB, no qual o ex-governador está supostamente envolvido.

Mais do mesmo

Para o deputado Max Maciel (Psol), a mudança de comando não altera o cenário político. “Não temos nenhuma expectativa por entendermos que se trata da continuidade do mesmo governo”, disse, reforçando que a oposição seguirá fiscalizando a nova gestão.

Na mesma linha, o deputado Gabriel Magno (PT) classificou a gestão como “desastrosa”. “Ele teve à disposição um orçamento sem precedentes, mas, em vez de atender às prioridades da população, usou os recursos para fazer negócios”, disse. O parlamentar também apontou problemas em áreas como saúde, educação e assistência social, além de denúncias de corrupção. Sobre a nova governadora, foi direto: “A expectativa é que seja mais do mesmo”.

Entre as críticas, há também posicionamentos que apontam abertura ao diálogo. A deputada Dayse Amarílio (PSB) destacou os impactos na saúde pública e sinalizou disposição para cooperação institucional. “O Governo Ibaneis deixa cicatrizes profundas. Com a chegada de uma nova governadora, esperamos um novo ciclo”, afirmou. “Seguiremos fiscalizando, cobrando e lutando para que a saúde volte a ser prioridade.”

A transição de governo no Distrito Federal ocorre em um ambiente de forte tensão política e institucional. A renúncia de Ibaneis Rocha encerra um ciclo marcado por investimentos em infraestrutura, mas também por críticas recorrentes à condução das políticas sociais e à gestão de áreas sensíveis, como saúde e finanças públicas.


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