Pai de Vorcaro, bancário suspeito de corrupção, doou R$ 1 milhão ao partido de Zema em MG

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Uma doação de R$ 1 milhão feita ao diretório mineiro do Novo colocou o partido do ex-governador Romeu Zema no centro da nova crise envolvendo aliados do ex-presidente condenado por tentativa de golpe, Jair Bolsonaro, o Banco Master e o financiamento do filme Cavalo Negro.

O valor foi doado em 2022 por Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, ao Novo de Minas Gerais. O registro aparece na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral e disponível na base pública do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A repercussão ganhou força porque Daniel Vorcaro é o empresário citado nas negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e a captação de recursos para o longa-metragem sobre Jair Bolsonaro. Já Henrique Moura Vorcaro passou a ser alvo de atenção pública após ser preso em uma nova fase da investigação da Polícia Federal relacionada ao escândalo do Banco Master.

Doação expõe contradição política

O caso passou a gerar desgaste para o grupo político de Romeu Zema depois que o ex-governador criticou publicamente Flávio Bolsonaro pela tentativa de obter apoio financeiro para o filme.

Ao mesmo tempo, enquanto Zema condenava a aproximação entre Flávio e Daniel Vorcaro, o partido do ex-governador havia recebido uma doação milionária do pai do banqueiro nas eleições de 2022.

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Embora a contribuição registrada no TSE não represente, por si só, qualquer ilegalidade, o dado passou a ser usado politicamente para questionar o discurso adotado pelo Novo diante da crise.

Filme “Dark Horse” ampliou tensão na direita

A disputa começou após a divulgação de mensagens e áudios que mostram Flávio Bolsonaro negociando apoio financeiro de Daniel Vorcaro para viabilizar o filme Cavalo Negro. Segundo informações divulgadas pelo site Intercept Brasilas tratativas envolveriam cerca de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões.

Flávio admitiu ter buscado patrocínio privado para o projeto, mas negou qualquer irregularidade. O senador afirmou que a produção não utilizaria recursos públicos, verba da Lei Rouanet ou qualquer benefício pessoal.

O desgaste aumentou depois que a produtora do filme informou não ter recebido recursos do banqueiro, informação também obtida pelo Intercept Brasil.

O episódio agravou a tensão entre o bolsonarismo e Romeu Zema, que tenta se consolidar como um dos principais nomes da extrema direita para a eleição presidencial de 2026.

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