Palmeiras se destaca com City e Real em vendas de atletas da base

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Levantamento do Observatório do Futebol (CIES) divulgado nesta quarta-feira (1º) mostra os clubes que mais lucraram com transferências de atletas revelados nas categorias de base nos últimos dez anos. O Palmeiras é o único clube que aparece no Top-10, na nona posição, com um total de 356 milhões de euros. O levantamento tem o Benfica-POR na liderança, com 589 milhões de euros, seguido por Ajax-HOL, com 454 milhões, e Chelsea-ING, com 442 milhões.

Entre os dez primeiros ainda aparecem potências como o Manchester City-ING, na sexta posição com 404 mi de euros, e o Real Madrid-ESP em sétimo, com 395 mi de euros. Chama a atenção que no Top-10, dois são clubes franceses, em maioria ao lado dos portugueses e ingleses: o Lyon, atual time de Endrick, aparece em quarto, com 423 milhões de euros, e o Monaco, em oitavo, com 378 mi de euros.

Depois do Palmeiras, o Flamengo é o clube brasileiro melhor colocado, em 17° do ranking, com 285 milhões de euros arrecadados.

“É muito legal ver essa continuidade do trabalho das crias da Academia. Eu já estou na Europa há nove anos e o trabalho continua dando frutos. Isso é uma comprovação do quanto o projeto no clube seguiu um caminho de excelência mesmo depois de tanto tempo. O trabalho que o Palmeiras fez desde então nos proporcionou alçar voos cada vez maiores, tanto com oportunidades no time profissional quanto em futuras vendas e seleção brasileira”, afirma Gabriel Jesus, que representou a primeira grande negociação entre os atletas da base do Palmeiras, após ganhar o Campeonato Brasileiro de 2016, ao ser vendido para o Manchester City por 33 milhões de euros – um recorde para a época.

Vitor Reis, atualmente emprestado ao Girona, da Espanha, foi a maior venda de um zagueiro na história do futebol brasileiro, ao ser negociado para o Manchester City, da Inglaterra, por 37 milhões de euros (R$ 232,77 milhões, na cotação atual) – superou Beraldo, que tinha deixado o São Paulo para o Paris Saint-Germain por 20 mi de euros.

“Ser formado pelo Palmeiras e hoje viver esse momento na Europa mostra muito da força desse projeto. O clube me preparou em todos os aspectos, dentro e fora de campo, e isso faz diferença quando a gente chega aqui fora. Fico feliz de fazer parte de uma geração que não só realiza sonhos, mas também ajuda a valorizar ainda mais a base do Palmeiras no cenário mundial”, conta o zagueiro.

“Hoje, o mercado olha para a base do Palmeiras com o mesmo respeito que olha para grandes academias europeias. A combinação entre tecnologia, metodologia e tempo de maturação faz com que o clube não apenas revele, mas maximize o valor de cada talento”, afirma Cláudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management no Brasil.

Já as maiores negociações aconteceram recentemente com a ida do atacante Endrick para o Real Madrid, por valores que podem chegar a 72 milhões de euros (com as metas estabelecidas em caso de retorno dele ao clube) e se transformar na maior venda do futebol brasileiro da história.

Já Estevão foi vendido para o Chelsea por R$ 61,5 milhões de euros, enquanto o volante Danilo, um pouco mais distante, ao final de 2022, seguiu ao Nottingham Forrest, da Inglaterra, por quase 25 milhões de euros -hoje está no Botafogo.

“O que Palmeiras conseguiu recentemente com os nascidos em 2006, remete ao que vimos com os nascidos em 1992, que teve, juntos, na Seleção Sub-20, Neymar, Coutinho, Alisson e Casemiro, que logo despontaram para se destacar nos principais clubes do mundo. O Palmeiras conseguiu captar e desenvolver vários expoentes dessa geração, que é também brilhante, e que já se transferiram para os principais clubes e ligas do mundo. É um momento ímpar”, aponta Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, empresa de entretenimento norte-americana, que gerencia a carreira de centenas de atletas, entre eles, do próprio Endrick.

Em 2025, o Palmeiras atingiu mais do que o dobro com metas em venda de atletas, e obteve R$ 653,2 milhões em arrecadação com negociações, com ganho líquido de R$ 602,2 milhões.

“Clubes como o Palmeiras se superam pelo tamanho econômico e organização. Com as finanças equilibradas e a estrutura fortalecida, ampliaram receita e desenvolveram uma estratégia de elenco que mistura jogadores consagrados com o uso intenso da base”, analisa Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia durante o processo da SAF do clube com o Manchester City e atual CEO da Squadra Sports, primeira plataforma de multiclubes no Brasil.

Para a temporada 2026, a meta é de R$ 399,6 milhões com vendas de direitos econômicos, sendo que somente no primeiro trimestre do ano o clube já conquistou R$ 119,2 milhões. É exatamente aí que entra novamente as crias de base e os estrangeiros clube.

“O sucesso da base do Palmeiras, medido pela excepcional qualidade de jogadores saídos de lá e pelo volume líquido gerado em vendas, é resultado da profissionalização e dos investimentos feitos em sua estrutura de gestão. Hoje, ela gera retorno esportivo com títulos no futebol profissional e nas categorias de base, mas também se consolida como um ativo econômico, gerando lucro constante ao clube por meio da venda de atletas preparados cada vez mais cedo para o alto nível”, explica Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no futebol.

Pela primeira vez na história o Palmeiras teve todos os seus oito jogadores sul-americanos convocados para os amistosos preparatórios para a Copa do Mundo de 2026, com destaque principal para o atacante Flaco López, da Argentina.

As últimas especulações dão conta que após o Mundial, o Atlético de Madrid deve fazer uma proposta superior a 40 milhões de euros. O outro é o jovem lateral-direito Giay, que era presença constante nas seleções de base argentina e desta vez foi chamado pela primeira vez para o elenco principal.

Além dos dois, o Palmeiras vê outros quatro jogadores com potencial de venda em caso de boa performance na Copa, casos de Ramón Sosa e Maurício (Paraguai), e Emi Martinez e Piquerez (Uruguai). Ramón Sosa, com passagem pela Premier League, é o que tem maior potencial de revenda.

O clube entende que eles podem repetir o volante Richard Rios, negociado ao Benfica, de Portugal, após a Copa de Clubes da Fifa, em meados de 2025, por mais de 30 milhões de euros.

Mas nao por aí. Uma outra cria da base, o meia Allan, vem sendo sondado por vários clubes europeus, entre eles Napoli, da Itália, e Newcastle, da Inglaterra, por valores que também devem ultrapassar os 40 milhões de euros.

“O que o Palmeiras construiu na base é um reflexo claro de uma indústria que se profissionalizou. Não é mais apenas formação de atletas, é gestão de ativos. Quando um clube investe mais de R$ 100 milhões em estrutura, como nesse novo CT, ele está acelerando um ciclo que envolve captação, desenvolvimento e exposição internacional. O resultado é esse: jogadores cada vez mais preparados saindo mais cedo e sendo negociados por valores que colocam o Brasil em outro patamar no mercado global”, analisa Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, evento inédito direcionado para negócios no futebol que acontece entre os dias 7 e 9 de maio, em Fortaleza.

Veja os 10 primeiros

1.Benfica – 589 milhões de euros
2.Ajax – R$ 454 milhões
3.Chelsea – 442 milhões de euros
4.Lyon – 423 milhões de euros
5.Sporting – 417 milhões de euros
6.Manchester City – 404 milhões de euros
7.Real Madrid – 395 milhões de euros
8.Monaco – 378 milhões de euros
9.Palmeiras – R$ 356 milhões
10.Bayer Leverkusen – 339 milhões de euros

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