No feriado de Páscoa de 2025, dez mulheres foram vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul. Com a proximidade de um novo feriado prolongado, o cenário volta a acender o alerta sobre a violência de gênero no estado. Diante desse contexto, a vereadora de Porto Alegre Grazi Oliveira (Psol), junto ao movimento feminista Semear-Psol, lançou a campanha “Por um feriado seguro para as mulheres”, com foco na prevenção da violência e na cobrança por medidas efetivas de proteção.
Ao comentar o que motivou a campanha, a parlamentar pontua que os dados indicam que a violência contra mulheres cresce cerca de 70% em fins de semana e feriados prolongados. “Mesmo com o estado criando a Secretaria da Mulher, seguimos tendo um número elevado de feminicídios. Estamos na Semana Santa, véspera de feriado, quando esses índices aumentam. É justamente nesses períodos que as violências ocorrem”, afirma.
Apesar da recriação da secretaria, extinta há mais de dez anos, a vereadora avalia que as ações do Estado ainda não garantem proteção efetiva. Só neste ano, 24 mulheres foram assassinadas no RS, e 75% delas não tinham medida protetiva. “O feminicídio não é um problema privado, mas coletivo. Sem informação, sem campanhas públicas e sem apoio real do governo, não há como mudar essa realidade.”
Para Oliveira, a campanha busca envolver a sociedade e incentivar a denúncia. “O tema ultrapassa posições partidárias. É preciso que a comunidade esteja atenta aos sinais de violência. Queremos que as mulheres se encorajem a denunciar e que o Estado garanta proteção efetiva.”
A iniciativa também propõe reflexão sobre o período religioso. Na avaliação da vereadora não é possível celebrar a Páscoa, que representa a ressurreição de Cristo, com homens matando mulheres.
Rede de proteção e políticas públicas
Para a vereadora, o enfrentamento ao feminicídio exige políticas estruturais que permitam às mulheres romper o ciclo de violência. “É fundamental garantir auxílio-moradia, vaga em creche e apoio financeiro. Muitas vezes, o que impede a denúncia é o medo de não ter para onde ir ou como sustentar os filhos.”
Entre as medidas defendidas estão o funcionamento 24 horas da Patrulha Maria da Penha, abertura de abrigos sem restrição de município e delegacias especializadas em tempo integral. “Nos guiamos pelo relatório da comissão externa das deputadas federais, que aponta 95 medidas para reduzir essa epidemia. É preciso garantir atenção total da rede de proteção.”
A comissão foi criada após o feriado de Páscoa do ano passado e identificou falhas na oferta de serviços e no atendimento às vítimas.
Oliveira também aponta uma disputa política em torno do tema nas casas legislativas. “Há setores que defendem soluções como armas, castração química ou pena de morte. Essas propostas não enfrentam as causas da violência.”
Canais de denúncia
A campanha também orienta a população sobre onde buscar ajuda:
190 (emergência)
180 (denúncias)
“É hora de unir forças. Se as políticas públicas funcionarem, o feminicídio é evitável”, conclui Oliveira.

