O Partido Socialismo e Liberdade (Psol) surge em 2004, após discordâncias dentro do Partido dos Trabalhadores (PT). De lá para cá, a legenda tem se firmado cada vez mais como uma referência jovem dentro do campo da esquerda, trazendo pautas importantes para o debate público e se reaproximou do PT, especialmente em torno da candidatura à reeleição de Lula.
Ó Entrevista com BdF desta quarta-feira (20) recebe Paula Coradi, presidenta do Psol desde 2023, como a primeira convidada da série de entrevistas que o Brasil de Fato está fazendo com representantes dos principais partidos progressistas do Brasil.
Coradi conta que o Psol foi o único partido ao qual foi filiada e lembra do início da formação da legenda. “Nós saímos de um rompimento com o PT, então eu sou fruto de uma geração de lutadores e lutadoras sociais e fruto da luta das mulheres do Psol que construíram coletivamente essa conquista que é ter uma mulher presidenta. Os desafios são muito grandes, o machismo cotidiano existe, mesmo nos partidos de esquerda, nas relações que temos com pessoas de outros setores. É desafiador, mas eu acredito que eu estou representando também um conjunto de mulheres que tomaram a política como um papel para si e estão com protagonismo na nossa bancada”, afirma.
Para ela, o protagonismo das mulheres, a luta antirracista e a defesa da população LGBT+ estão entre as bandeiras de luta dos últimos 20 anos de história do partido. “É a única bancada que tem maioria de mulheres na Câmara”, orgulha-se. “Essa é a nossa grande marca.”
Questionada sobre o episódio constrangedor da recusa à federação com o PT, Paula Coradi lembra que, de fato, o debate não era para ser público, mas, ao mesmo tempo, ela destaca que não há nenhum tema proibido dentro da legenda. “Acho que isso é o que faz de nós sermos um partido tão dinâmico e tão vivo, por ter essa capacidade de não só produzir debates, de expressar suas diferenças, mas, sobretudo, produzir sínteses. E foi isso que permitiu que o grupo, que é muito conectado com o ministro Guilherme Boulos permanecesse no Psol, graças à nossa capacidade de produzir sínteses a partir de debates difíceis. Mas entendemos que esse assunto está superado internamente”, explica.
Coradi defende que esse ano eleitoral é de máxima importância e a agenda progressista precisa estar unificada para garantir a derrota do bolsonarismo. Por essa razão, ela conta que, em 2022, houve divergências com relação ao apoio à candidatura de Lula, mas que, neste ano, houve unanimidade em se unir em torno da reeleição. “Nós vamos passar por uma eleição muito dura, muito difícil. Nós entendemos que esses quatro anos foram anos também muito difíceis para nós, do campo progressista, da esquerda, por conta da composição do Congresso Nacional, que abriu guerra contra o governo desde o primeiro dia e impediu que muitas das nossas agendas, a agenda que foi eleita nas urnas, e muitas vezes de forma antidemocrática, travaram a agenda do Congresso com questões totalmente irrelevantes, como é o caso da anistia“, pontua. “Nós acreditamos que Lula é o único candidato que tem condições de continuar freando o avanço da extrema direita no Brasil. Por isso não houve dúvidas dentro do Psol com relação a isso.”
A representante do Psol também avalia a atual conjuntura da extrema direita, que tem no bolsonarismo sua maior expressão, e a participação da juventude como um campo de batalha a ser conquistado. “É claro que a nossa capacidade de produzir novos quadros, se for comparada à extrema direita, está abaixo. Mas eu não acredito que isso seja uma luta, uma batalha que já esteja dada como encerrada. Porque eu acredito na nossa capacidade de produzir lideranças. Hoje, quando a gente fala de juventude, existe um mal-estar enorme. E esse mal-estar vem dessa falta de perspectiva, falta de futuro, porque, de fato, o neoliberalismo falhou em todas as suas promessas. Então, quem pode dialogar com esse mal-estar e, de fato, produzir saídas somos nós, porque a nossa agenda é a agenda de justiça social, de transformação e de produção de esperança”, avalia Paula Coradi.
Confira a entrevista completa abaixo:
Para ouvir e assistir
Ó Entrevista com BdF vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo.

