Pesquisa mostra país dividido e campanha difícil para Lula em 2026, analisa cientista político

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A mais recente pesquisa Atlas/Bloomberg reforça um diagnóstico que já se tornou familiar no Brasil desde 2018: o país segue dividido e a eleição presidencial deve se resolver em um segundo turno polarizado entre o campo progressista — representado pelo PT — e a extrema direita — personificada na figura de Flávio Bolsonaro, herdeiro político do ex-presidente inelegível.

“A eleição de 2026 ainda reflete uma política brasileira marcada pela dicotomia, pelo conflito, pela polarização entre o lulismo e o bolsonarismo. Quem organiza a política nacional é PT por um lado e o bolsonarismo por outro”, aponta no Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.

Ele explica que essa organização envolve liderança expressiva nacional, capital simbólico, recursos de poder e a capacidade de coordenar os respectivos campos políticos. “Quando a gente responder todas essas perguntas, a gente vai bater na polarização.”

Sobre a tão sonhada “terceira via”, Cortez é direto. “Há uma demanda, mas quem é essa terceira via? Caiado, Ratinho, Eduardo Leite — eles expressam o quê? Efetivamente, qual é a diferença, olhando do ponto de vista de quem tem de apoiar na esquerda, se vier uma candidatura do Eduardo Leite? A mesma coisa do ponto de vista da direita.”

“É um elefante caminhando a passos muito lentos. A regra é ter mais continuidade. Se a gente olha para 2022, o ponto de partida é uma vitória do Lula muito em cima, num segundo turno contra Bolsonaro, com margem próxima a 50%. O país é um país dividido”, observa.

A desaprovação em alta e o caso Master

O dado mais preocupante para o campo governista, segundo Cortez, é a avaliação do governo: 53,5% de desaprovação contra 45,9% de aprovação. “Essa é a principal lição dessa pesquisa. Mais preocupante à luz dos interesses e dos desafios da candidatura governista.”

Ele aponta uma conjuntura política e econômica desfavorável a Lula. “No plano político, ainda há uma agenda voltada por temas que incomodam o governo: corrupção, Supremo Tribunal Federal. E quando a gente fala em corrupção, não é um debate abstrato. O problema é transformar essa discussão em um caso concreto, e a gente tem visto um caso muito importante: o Banco Master.”

O escândalo, segundo o analista, simplifica a discussão para o eleitor. “Escândalo de corrupção ajuda quem está fora, ajuda quem é percebido que não está no poder. É uma tendência natural da oposição se beneficiar do mal-estar que o eleitor vai sentindo quando ele é sistematicamente recebido com informações, debates, discussões sobre corrupção.”

Economia e endividamento: a percepção do eleitor

No plano econômico, Cortez reconhece que indicadores como massa de renda, desemprego e inflação estão no terreno positivo, mas ressalta que eles não explicam toda a história. “Apesar de estarem no terreno positivo, eles não explicam toda a história dessa sensação do eleitor de ter um mal-estar. Ele percebe a economia como uma economia que está pior.”

A explicação, segundo ele, está no endividamento das famílias. “As famílias estão indignadas. E tem sobretudo muita imagem de crise. Agora, o preço do petróleo está subindo, isso bate na discussão sobre gasolina. Isso vai dar uma agenda difícil para o governo.”

Cortez lembra que Lula recuperou capital político no início do ano com as tarifas aplicadas pelos EUA ao Brasil. “Isso ajudou o Lula a reverter um pouco esse mal-estar. Mas ele passa esse início de 2026 perdendo essa vantagem e, portanto, com um quadro preocupante para a reeleição.”

O analista conclui que ainda é preciso entender melhor a dinâmica eleitoral, mas os sinais são claros. “A avaliação do governo sugere uma campanha muito difícil para o candidato Lula.”

Para ouvir e assistir

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