Pesquisa Quaest: com jovens, evangélicos e bolsonaristas, Raquel Lyra consolida virada sobre João Campos em Pernambuco

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Após hiato de três meses, o Instituto Quaest divulgou mais uma pesquisa de intenção de voto em Pernambuco visando as eleições do próximo mês de outubro. E o levantamento confirma e detalha o que outros institutos já haviam apontado nas últimas semanas: a governadora Raquel Lyra (PSD) virou o jogo contra o seu principal adversário, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Ela agora aparece com 43% das intenções de voto, um crescimento de 9 pontos ante os 34% de abril. Campos tem 37% das menções, uma queda de 5 pontos comparada à pesquisa de três meses atrás.

Além de Lyra (43%) e Campos (37%), a Quaest traz a professora Camila Falcão (UP), o jornalista e ex-vereador Ivan Moraes (Psol) e o contador Renan Hallais (Missão) empatados com 1% das menções. Os indecisos somam 11%, enquanto 6% declaram voto branco ou nulo. Ao ler o detalhamento da pesquisa, percebe-se que a governadora tem mais votos de homens que de mulheres (46% x 42%), enquanto Campos é o inverso (39% entre as mulheres e 34% entre os homens). As menções a Camila Falcão (UP) vieram das mulheres, enquanto a Ivan Moraes (Psol) e Hallais vieram principalmente de homens.

Votos válidos

Juntos, os cinco candidatos somam 83% das intenções de votos. Ao serem excluídos da conta os votos indecisos, brancos e nulos, a governadora Raquel Lyra (PSD) chega a 51,8% dos votos válidos, contra 44,6% de João Campos, o que liquidaria a disputa eleitoral já no 1º turno. Os demais candidatos ficam com 1,2% cada.

Os resultados acima referem-se à pesquisa estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados. Já na pesquisa espontânea, quando o eleitor deve declarar seu voto sem visualizar nomes, Raquel Lyra é lembrada por 25%, seguida por João Campos (18%). Os indecisos somam 54% e há 3% de declarações de votos brancos e nulos.

2º turno

Em um possível 2º turno, a governadora Raquel Lyra (PSD) teria 45% dos votos (crescimento de 7 pontos) contra 39% de João Campos (perda de 7 pontos). Eles praticamente inverteram as intenções de voto de abril, quando Campos era preferido de 46% e Lyra tinha 38%. Os indecisos permanecem sendo 8%. Brancos e nulos também somam 8%.

Onde aconteceu a virada?

Ao observarmos grupo a grupo, conseguimos afirmam que a virada da governadora sobre o ex-prefeito do Recife se deu principalmente entre os jovens de 16 a 34 anos, a população com grau de escolaridade de ensino médio completo, faixa de renda entre dois e cinco salários mínimos mensais e principalmente entre os evangélicos. Há ainda uma consistente perda de votos de João entre os eleitores que se identificam como esquerda e uma consolidação ainda maior de Raquel Lyra como escolha dos bolsonaristas.

Ao observar as faixas etárias, Raquel e João empatam entre eleitores com 60 anos ou mais (39% de Raquel, contra 38% de João) e com idades entre 35 e 59 anos (ambos têm 41%). Mas a virada aconteceu mesmo na faixa mais jovem, com idades entre 16 e 34 anos: em abril, Campos tinha uma vantagem de 6 pontos (43% x 37%), mas após três meses Lyra aparece com uma vantagem de 22 pontos (52% x 30%).

Observando o nível de escolaridade, Raquel tem uma pequena vantagem entre os de ensino fundamental completo (43% x 38%) e manteve sua vantagem entre aqueles com ensino superior completo (51% x 35%). Mas a virada aconteceu mesmo entre os que têm ensino médio completo: em abril, João Campos vencia por 8 pontos (47% x 39%), mas agora Raquel vence por 9 pontos (44% x 35%).

Agora as faixas de renda. Entre os eleitores cuja renda familiar mensal é superior a cinco salários mínimos, Lyra tinha 2 pontos de vantagem em abril (42% x 40%), mas ampliou para 6 pontos (47% x 41%). Entre aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos, João vencia em abril por 15 pontos (51% x 36%), vantagem que desapareceu e agora Raquel aparece empatada, com leve vantagem (42% x 40%). Já entre os eleitores de renda de dois a cinco salários, o empate de abril (41% x 40%) virou uma vantagem de 13 pontos para Raquel (49% x 36%).

A disputa também se deu nas igrejas. Entre os pernambucanos católicos, João tinha uma vantagem de 6 pontos (46% x 40%), mas isso se tornou um empate técnico (Raquel tem 43%, contra 41% de João). Já entre os evangélicos, os dois candidatos apareciam com 42% em abril, mas João caiu para 32% e Raquel cresceu para 58%, abrindo uma vantagem de 26 pontos.

E por fim, a ideologia. Entre os que se identificam como independentes, Raquel já possuía uma vantagem de 10 pontos (42% x 32%), margem que subiu para 15 pontos (46% x 31%). Na direita não bolsonarista, a vantagem que era de 22 pontos (58% x 36%) hoje é de 35 pontos (64% x 29%). Na esquerda não lulista, a vantagem de 42 pontos a favor de João Campos (63% x 21%) derreteu e hoje é de 7 pontos (48% x 41%). Entre os lulistas, a vantagem de Campos era de 35 pontos (65% x 30%) e caiu para 22 pontos (56% x 34%). E entre os bolsonaristas, a vantagem que era de 28 pontos (61% x 33%) saltou para 57 pontos (72% x 15%).

Questionados se ainda podem mudar de voto até outubro, 58% dos eleitores afirmaram que não devem mudar, enquanto 41% admitiu que pode mudar de opinião. Os votos de João Campos (PSB) estão mais consolidados: 66% dizem estar decididos, contra 34% que podem mudar. Entre os eleitores de Raquel Lyra (PSD), 58% afirmam certeza do voto, enquanto 41% ainda podem migrar.

De quem o próximo governador deve ser aliado?

Para 47% dos pernambucanos, a próxima gestão estadual deveria ser de um aliado do presidente Lula (PT). Há ainda 34% que preferem um gestor “independente”, enquanto 14% preferem um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Outros 5% não souberam responder.

Apenas 44% dos eleitores sabem que João Campos (PSB) é o candidato apoiado por Lula (PT). Há ainda 8% que acham que Raquel Lyra (PSD) é a candidata lulista, enquanto 48% não souberam responder à pergunta. Já ao serem perguntados sobre quem é o candidato apoiado por Bolsonaro, 23% citam Raquel, 4% citam João, 2% citam outros nomes e 71% não sabem responder.

Índices de rejeição

A governadora e o seu principal adversário aparecem tecnicamente empatados no índice de rejeição. Lyra é rejeitada por 35% dos eleitores, sendo os lulistas o grupo que mais a rejeita (46%). O ex-prefeito João Campos é rejeitado por 34%, sendo os piores índices entre os bolsonaristas (66% de rejeição) e na direita não bolsonarista (50%). Em seguida, são rejeitados Ivan Moraes (Psol), por 14%; Renan Hallais (Missão) e Camila Falcão (UP), ambos com 7% de rejeição.

Raquel Lyra tem gestão aprovada

O Instituto Quaest também apurou que 68% dos entrevistados aprovam o governo Raquel Lyra, enquanto 23% desaprova e 9% não souberam responder. Os grupos populacionais onde a governadora goza de maior aprovação são os bolsonaristas (90% de aprovação) e os evangélicos (79%).

Variação do índice de aprovação da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), segundo as pesquisas do Instituto Quaest.
Variação do índice de aprovação da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), segundo as pesquisas do Instituto Quaest.

Já os grupos que menos aprovam seu governo são os lulistas (33%) e a esquerda não lulista (32%), mas mesmo nestes grupos o índice de aprovação supera o de desaprovação. O seu governo é avaliado como “positivo” por 45% dos entrevistados, é “regular” para 36% e “negativo” para 15%.

Foram citados como principais problemas de Pernambuco a saúde (32% das menções) e a violência (25%). Com bem menos citações aparecem o desemprego, a educação, a infraestrutura e as enchentes (todos com 4%).

A pesquisa Quaest foi realizada a partir de 900 entrevistas presenciais, face a face, entre os dias 22 e 26 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos e o índice de confiabilidade é de 95%. O levantamento foi registrado no TSE com o código PE-09649/2026.

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