Petro convoca mobilizações para o 1º de maio em defesa de Constituinte e contra política de juros na Colômbia

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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, utilizou suas redes sociais e canais oficiais para convocar a população e as organizações de trabalhadores para as marchas do dia 1º de maio.

O chefe de Estado vinculou as mobilizações do Dia Internacional do Trabalhador à defesa de uma Assembleia Nacional Constituinte. A iniciativa chamada de “Proposta Cidadã” surge como uma resposta às dificuldades de articulação política para a aprovação de reformas sociais no Poder Legislativo colombiano, segundo o dirigente da coligação Pacto Histórico pela Colômbia, Jairo Ramírez.

Petro argumenta que, diante do bloqueio de projetos nas áreas de saúde, previdência e trabalho, cabe ao poder constituinte originário decidir sobre as transformações do Estado. O movimento busca transferir a arena de decisão do parlamento para as ruas, visando medir a força do apoio popular à gestão.

“A reforma da saúde, que elimina intermediários corruptos e permite o atendimento imediato ao doente, fortalece o sistema de saúde preventiva, reforça a rede pública de hospitais e financia água potável e alimentação para todos os colombianos como prioridade”, diz Petro na publicação na plataforma X.

Um dos eixos centrais da convocação é o protesto contra a manutenção de altas taxas de juros pelo Banco da República, a autoridade monetária do país. O Executivo sustenta que o custo elevado do crédito impede o crescimento da produção nacional e a geração de empregos formais. Para a administração atual, a política monetária atual beneficia o setor financeiro em detrimento do setor produtivo e das famílias colombianas de baixa renda.

A proposta de Constituinte, detalhada pelo presidente em atos recentes e assinada formalmente em fevereiro de 2026, estabelece a reforma agrária como prioridade absoluta. Segundo o documento governamental, a redistribuição de terras produtivas é o mecanismo central para assegurar a paz no território. A proposta prevê a titulação de terras para camponeses, comunidades indígenas e populações afrodescendentes como forma de reduzir conflitos rurais.

Além da questão agrária, o projeto constitucional de Petro abrange a reformulação dos sistemas de seguridade social. O texto propõe a garantia de direitos trabalhistas básicos, como a remuneração adicional por horas extras e o descanso remunerado em feriados, pontos que sofreram resistência em comissões legislativas. O governo defende que a formalização do trabalho é um passo necessário para a sustentabilidade da economia colombiana a longo prazo.

A dimensão ambiental também ocupa espaço na agenda de mudanças estruturais proposta pelo Executivo. A nova Carta Magna visaria consolidar diretrizes para a descarbonização da economia e a proteção rigorosa da Amazônia colombiana. Petro vincula a crise climática à necessidade de um novo modelo econômico que não dependa exclusivamente da extração de combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão.

No âmbito econômico, a proposta de Petro inclui mecanismos para a participação dos trabalhadores nos lucros das empresas. Essa medida visa, de acordo com o discurso oficial, democratizar o capital e reduzir as disparidades de renda no país. O presidente afirma que a integração dos funcionários nos resultados financeiros das companhias promove uma maior estabilidade social e produtividade no ambiente corporativo.

Outro ponto destacado por Petro é a reforma da justiça para “acabar com a impunidade, mantendo-se o atual Tribunal Constitucional e seu mecanismo de seleção”. Ele também sugere uma reforma dos serviços públicos para “acabar com a especulação tarifária em serviços de eletricidade, água potável e coleta de lixo.”

Também é proposta uma reforma do regime político, afirmou Petro na plataforma X. “Para acabar com a corrupção e o clientelismo e construir um verdadeiro árbitro eleitoral e um cadastro eleitoral transparente. O crime de corrupção será o mais punido na Colômbia e será pago nas prisões do país.”

As mobilizações de 1º de maio ocorrem em um contexto de tensão institucional acentuada, iniciada após o Congresso não aprovar o orçamento geral da nação para o ano de 2026.

Esse impasse levou o governo a decretar estado de emergência econômica no final de 2025 para garantir a continuidade de programas sociais.

Impulsionada pela esquerda colombiana desde o início do mandato, a medida passou a ser prioridade na Casa de Nariño em janeiro, quando ganhou visibilidade por meio dos ministros. O projeto agora entra em fase de execução pelos partidos e movimentos sociais, que têm seis meses para obter as mais de 2 milhões de assinaturas necessárias. No dia 31 de maio, os colombianos votarão para presidente.

Embora as pesquisas apontem uma pequena vantagem para o ex-senador Iván Cepeda, nome do Pacto Histórico pela Colômbia e aliado de Petro, a segunda posição é ocupada por Abelardo de la Espriella. Representante da extrema direita, De la Espriella é entusiasta de líderes como Javier Milei e Nayib Bukele, além de contar com o suporte da família Bolsonaro.

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