O documento do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), colocou o Pix entre as medidas brasileiras que, na visão do governo americano, funcionariam como barreiras aos seus interesses comerciais.
Ao lado de propostas de regulação de redes sociais e da chamada “taxa das blusinhas”, o sistema de pagamentos instantâneos aparece como um ponto de atrito, principalmente por seu modelo público e centralizado no Banco Central do Brasil.
Este e outros assuntos da economia serão abordados no programa e na News da Resenha, newsletter para manter os investidores informados e ajudar na tomada de melhores decisões no mercado.
No relatório, o órgão afirma que o Banco Central “criou, detém, opera e regula o Pix” e aponta preocupações de que haveria tratamento preferencial ao sistema, o que poderia prejudicar empresas estrangeiras de pagamentos eletrônicos, atingindo empresas de cartão de crédito como Visa e Mastercard, cujos modelos de negócio dependem de intermediação e tarifas.
Marília Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, observa o porquê da disputa global por pagamentos.
“O sistema financeiro brasileiro é um dos mais sofisticados do mundo. Isso vem de um histórico de hiperinflação, em que não dava para esperar dias para compensar um cheque, o que levou o país a desenvolver soluções instantâneas, que ainda não são comuns em outros países”, explica.
O Pix reduz intermediários e elimina custos para o usuário. Segundo Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, esse é o ponto central da mudança.
“Além de ser um sistema de pagamento universalele é gratuito e acessível. O que talvez incomode é que o Pix funciona muito bem, enquanto em outros mercados o sistema é privado e não foi disseminado para toda a população”, afirma.
A escala ajuda a explicar esse avanço. Dados do BC divulgados na última terça-feira (7), mostram que o Pix já responde por 54,7% das transações financeiras no país, com 42,9 bilhões de operações apenas no segundo semestre de 2025.
Esse avanço pressiona diretamente o modelo de negócios do setor.
“Com esse meio de pagamento evoluindo, inclusive com possibilidade de parcelamento, ele passa a competir diretamente com essas estruturas. Isso pode representar bilhões de dólares a menos em receita para essas empresas”, complementa Fontes.
Para o investidor, o movimento aponta uma mudança estrutural em curso.
“O Pix é importante porque reduz custos para quem transaciona, sem intermediários. Isso obriga empresas que operam no modelo antigo a se adaptarem, e o investidor precisa olhar para esse cenário com outra perspectiva”, aconselha Godoy.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do Dinheiro da CNN no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

