PM faz reintegração de posse na USP durante madrugada; estudantes denunciam ‘corredor polonês’

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A Polícia Militar de São Paulo realizou a reintegração de posse da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) na madrugada deste domingo (10), ocupada pelos estudantes desde a última quinta-feira (7). Em nota publicada pelo Diretório Central dos Estudantes de universidade, o DCE acusa a PM de agir de forma truculenta, formar um “corredor polonês” para violentar os manifestantes, além do uso de cassetetes e gás lacrimogêneo. Quatro estudantes foram encaminhados à 7ª Delegacia de Polícia, mas já foram liberados na manhã de hoje.

O diretório afirma ainda que não houve determinação judicial para a ação e que não há justificativa para a medida, uma vez que a ocupação ocorria de forma pacífica, além da ilegalidade da realização da medida no horário de 21h às 5h. “Os alunos não foram avisados disso, não tiveram a oportunidade de sair por livre e espontânea vontade do local e foram surpreendidos no meio da noite com essa ação violenta”, conta Gabriela Zanini, diretora do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (Caoc), dos estudantes de medicina, e membro do comando de greve.

Ela explica que a decisão de ocupar a reitoria ocorreu após o reitor, Aluisio Segurado, encerrar as negociações de forma unilateral. Entre as pautas estão a melhoria das condições da moradia estudantil e aumento do auxílio permanência.

Em entrevista ao Jornal da USPo reitor afirmou que sua gestão na USP tem apenas 100 dias e que as demandas dos estudantes foram debatidas exaustivamente pela reitoria e divididas em três grupos. Segundo ele, há demandas acatadas, outras em fase de estudos e um terceiro grupo de demandas recusadas. Entre as medidas em estudos estão melhorias na moradia estudantil.

No primeiro grupo de demandas, o reitor inclui o aumento da bolsa permanência para R$ 912, mas os estudantes reivindicam o valor do salário mínimo em São Paulo, que é de R$ 1.804, o que o reitor garantiu que não vai aceitar.

“Essa reivindicação já lhes foi apresentada como impossível de ser atendida. No entanto, parece que a negociação, para eles, só se encerraria com o atendimento integral de todas as reivindicações formuladas”, disse o Segurado na entrevista.

Além de considerar essas medidas insuficientes, há demandas específicas por curso. Zanini afirma que os estudantes de medicina permanecem em greve pela melhoria do auxílio, pela melhoria da qualidade da alimentação fornecida no restaurante universitário e por melhores condições de trabalho no Hospital Universitário.

“Hoje há menos do que 500 funcionários, há menos do que tinha em 2013. O HU realiza 60% de cirurgias a menos do que realizava em 2013, faz cerca de 11% das consultas que eram realizadas em 2013 e está com quase metade dos leitos fechados.” Ela acrescenta que muitos pacientes que deveriam ir para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) permanecem na enfermaria por falta de leitos.

O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) acompanhou a saída dos quatro estudantes detidos e publicou um vídeo em apoio à mobilização estudantil. Os servidores técnico-administrativos também estão em greve desde o dia 13 de abril e anunciaram um ato conjunto para esta segunda-feira (11).

Em nota à reportagem, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que a ação contou com 50 policiais para a retirada de 150 estudantes, que não registrou feridos e que toda a ação foi registrada pelas câmeras corporais, que serão anexadas aos autos da ocorrência.

“A Polícia Militar ressalta que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”, diz um trecho a nota. A SSP disse que identificou danos ao patrimônio, como a quebra do portão de entrada, de portas de vidros, além de apreender armas brancas como “facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes”.

A reportagem procurou a reitoria da USP para um posicionamento e aguarda retorno para atualização da matéria.

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