Premiê da Espanha rejeita apoio aos EUA contra o Irã: ‘Não seremos cúmplices de algo ‌ruim para o mundo’

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O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, rejeitou o apoio aos Estados Unidos e a Israel na guerra contra o Irã, em um discurso televisionado à nação nesta quarta-feira (4). “Não vamos ser cúmplices de algo que é ‌ruim para o mundo, nem contrário ‌aos nossos ​valores e interesses, simplesmente para evitar represálias de alguém”, disse Sánchez.

A declaração ocorreu depois que Donald Trump ameaçou cortar relações com a Espanha após classificar o país como um “parceiro terrível” na guerra. “A Espanha tem sido terrível”, afirmou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. O republicano acrescentou que orientou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a “encerrar todas as relações” com o país europeu.

Pouco antes, Madri recusou disponibilizar a Base Aérea de Morón e a Base Naval de Rota na campanha militar contra o Irã, classificada como “ilegal” pelo Palácio de La Moncloa.

Sánchez reafirmou ainda que a posição do governo espanhol sobre a guerra estadunidense “é clara e coerente” e similar à posição em relação à Ucrânia e à Faixa de Gaza. “Não à violação do direito internacional que nos protege a todos, especialmente a população civil. Não à ideia de que o mundo só pode resolver os seus problemas com bombas. Não repitamos os erros do passado. Não à guerra”, disse.

O premiê também criticou os líderes mundiais que “usam a névoa da guerra para esconder seu fracasso” em seus próprios países. “É assim que começam os grandes desastres da humanidade… Não se pode jogar roleta russa com o destino de milhões de pessoas”, declarou.

O primeiro-ministro acrescentou que o debate não se resume a apoiar ou não os aiatolás – chefes de Estado no Irã. “A questão é se estamos do lado da legalidade internacional e, portanto, da paz.”

Durante seu encontro com Merz, Trump também criticou a Espanha por se recusar a aceitar a proposta da Tanpara que os países membros aumentassem seus gastos com defesa para 5% do PIB.

“Todos estavam entusiasmados com isso – a Alemanha, todos – e a Espanha não aceitou”, disse Trump. “E agora a Espanha disse que não podemos usar suas bases – e tudo bem. Nós poderíamos usar suas bases; se quiséssemos, poderíamos simplesmente voar até lá e usá-las. Ninguém vai nos dizer para não usá-las. Não precisamos. Mas eles foram hostis.”

A Comissão Europeia repudiou a ameaça de retaliação comercial de Trump contra a Espanha. “Qualquer ameaça contra um Estado-membro é, por definição, uma ameaça contra a UE”, disse Stéphane Séjourné, comissário europeu para o mercado interno, também nesta quarta-feira (4). “Quero deixar bem claro que, deste ponto de vista, a concorrência comercial da UE é tratada pela Comissão”.

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