Presidenta da Venezuela contrata advogado nos Estados Unidos e sinaliza candidatura à Presidência

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A presidenta interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, registrou o advogado Jihad Smaili como seu representante oficial nos Estados Unidos. O documento foi entregue ao Departamento de Justiça na última terça-feira (14), em cumprimento à Lei de Registro de Agentes Estrangeiros. Smaili, que tem escritório na Califórnia, prestará consultoria jurídica e política para a governante.

Um dos objetivos centrais do trabalho é o apoio jurídico à futura campanha de Rodríguez na próxima eleição presidencial, que ainda não tem uma data definida.

A oposição pressiona para que sejam convocadas eleições no mais breve tempo possível, e sob condições estritas, como a nomeação de novas autoridades para o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e a restauração dos direitos políticos de todas pessoas que estiverem inelegíveis.

Já representantes do governo afirmam que não há prazo definido para a realização de novas eleições, já que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) reconheceu que Nicolás Maduro segue sendo presidente do país, ainda que sequestrado pelo governo dos Estados Unidos, e empossou Delcy Rodríguez como presidente interina para presidir o Executivo nacional, diante da ausência não prevista na Constituição Bolivariana.

Dessa forma, somente a própria presidente ou a Assembleia Nacional poderiam convocar novas eleições antes do fim do mandato presidencial, que termina em 2031.

Outros processos

O advogado também deve atuar em frentes estratégicas como a tentativa de retirar sanções econômicas impostas pelos estadunindenses. Ele representará a presidenta em disputas judiciais que envolvem a estatal Petróleo da Venezuela (PDVSA) e a Citgo, um braço PDVSA nos Estados Unidos.

A empresa chegou a ser entregue pelo governo Trump a membros da oposição venezuelana, autorizando-os a negociar dívidas e ativos do Estado no exterior sem a anuência do governo de Nicolás Maduro.

Em dezembro de 2025, já sob o cerco estadunidense no mar do Caribe, a Justiça dos EUA autorizou a liquidação da empresa. À época, a então vice-presidente do país, agora presidenta interina, Delcy Rodríguez, disse que o governo rejeitava “energicamente a decisão adotada no procedimento judicial de venda forçada da Citgo”.

Delcy Rodriguez assumiu o governo da Venezuela após o bombardeio dos Estados Unidos e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, a deputada nacional Cilia Flores, no dia 3 de janeiro. O governo de Donald Trump reconheceu a legitimidade da nova gestão e retomou as relações diplomáticas entre os dois países.

Ó Brasil de Fato entrou em contato com o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) para saber se há discussões internas sobre uma possível candidatura de Delcy Rodríguez à Presidência, mas não obteve retorno até o momento desta publicação. O espaço segue à disposição.

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