Pressionado por protestos, novo ministro do Trabalho boliviano promete diálogo com manifestantes para encerrar crise que já dura três semanas

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O novo ministro do Trabalho da Bolívia, Williams Bascopé, assumiu o cargo, prometendo abrir canais de diálogo com os manifestantes que seguem exigindo a saída do presidente Rodrigo Paz, no cargo há apenas seis meses. A mudança na pasta foi uma tentativa de Paz para encerrar os protestos que fecham dezenas de estradas pelo país e que voltaram a ocorrer nesta sexta-feira (22), a terceira semana.

“Vamos nos sentar à mesa com todos os líderes que, de forma aberta e sincera, apresentarem propostas que sejam obviamente razoáveis ​​e honestas”, disse Bascopé.

“Precisamos nos sentar e ouvir como podemos colaborar e onde falhamos, sempre colocando os interesses do país e de seus cidadãos em primeiro lugar. Não precisamos de arrogância, precisamos de humildade e sinceridade. Este ministro está aqui para dialogar, ouvir e apaziguar os conflitos que se acumularam”, disse.

Apesar disso, Bascopé ressaltou que “o direito de protestar é respeitado, mas esse direito tem várias condições, e precisamos aprimorar essa prática. Precisamos sentar e conversar; não podemos nos ferir mutuamente e atrasar o país”, acrescentou.

Bascopé substitui o ex-ministro Edgar Morales, que apresentou sua renúncia para “pacificar o país” após Rodrigo Paz anunciar uma reformulação ministerial. Morales, que havia assumido o cargo em 9 de novembro de 2025, vinha sendo muito criticado pela Central Operária Boliviana (COB) por travar as demandas dos setores trabalhistas.

Semanas atrás, manifestantes do setor fabril chegaram a ocupar o Ministério do Trabalho para exigir sua saída, exigindo a evacuação do local pela polícia.

E segue a crise

O governo de Rodrigo Paz acusa os manifestantes de tentarem alterar a ordem democrática e aponta o ex-presidente Evo Morales como o orquestrador dos protestos. O governo recusa diálogo com os manifestantes, enquanto o principal sindicato do país (COB) convocou novas marchas.

A Bolívia enfrenta sua pior crise econômica desde os anos 1980, agravada pelo fim dos subsídios aos combustíveis e por uma inflação de 14% (em abril).

Os Estados Unidos manifestaram forte apoio a Paz. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que não permitirá a derrubada de líderes eleitos pelo que classificou como “criminosos e narcotraficantes”.

A Bolívia expulsou a embaixadora da Colômbia após críticas do presidente Gustavo Petro, que chamou os protestos de “insurreição popular”. Em resposta de reciprocidade, a Colômbia também encerrou as funções do embaixador boliviano em Bogotá.

Centenas de trabalhadores voltaram às ruas do centro da capital política da Bolívia na quinta-feira (21). Com seus capacetes de trabalho e em meio ao barulho de fogos de artifício, mineiros e operários de fábricas marcharam em La Paz, cercada por bloqueios de estradas que provocaram escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos.

Os manifestantes passaram, sem incidentes, diante dos policiais antimotim que protegem com grades e escudos a praça de armas, onde fica o Palácio do Governo. Protestos violentos deixaram cerca de 130 detidos na segunda-feira, segundo o Ministério Público.

“Ele está nos impondo uma política neoliberal como nos anos 1980. Este governo não tem capacidade de governar e é totalmente servil às transnacionais”, disse à AFP Cecilio González, líder operário de 49 anos.

Pelo menos 47 bloqueios de estradas foram registrados em sete dos nove departamentos do país, segundo dados oficiais. Na quinta, a polícia liberou uma rota estratégica em Cochabamba (centro), após lançar gás lacrimogêneo contra manifestantes.

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