O caso do Banco Master ganha novos capítulos e permanece no noticiário dia após dia. Nesta sexta-feira (23), por exemplo, o Brasil de Fato contou que a Polícia Federal realizou operação para apurar operações irregulares no fundo Rioprevidência, que gerencia o patrimônio de aposentados e pensionistas estado do RJ; que a oposição ao governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), protocolou pedido de impeachment após denúncias envolvendo o banco de Daniel Vorcaro; e que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, saiu em defesa do ministro Dias Toffoli, alvo de críticas na condução do caso. A postura de Toffoli, porém, causa estranheza, e pode levar até mesmo à anulação das investigações no futuro, segundo o advogado Victor Barau, que é doutor em filosofia do direito.
Barau participou, nesta sexta, da segunda edição do jornal Conexão BdF 2ª Ediçãosim Rádio Brasil de Fato. Ele citou, por exemplo, a acareação determinada pelo ministro ainda em 2025 entre Vorcaro e integrantes do Banco Central (BC). O encontro foi cancelado posteriormente. O advogado fez questão de destacar que as determinações de Toffoli no caso não são necessariamente erradas, mas são incomuns.
“Esse desconforto, para dizer o mínimo, causa bastante estranheza, no sentido de controlar essa investigação por motivos que não são claros neste momento. Pode ser que se legitimem, esses atos, mas causa muita espécie (estranheza), isso”, afirmou.
“Pode ser, lá pra frente, que, por conta dessas questões, que vêm causando bastante espécie, todo esse processo venha a ser anulado, a depender dos interesses políticos futuros que vão ser colocados. A gente não tem essa clareza neste momento”, prosseguiu.
Para Barau, o caso Master tem potencial para se tornar “uma hecatombe” no mundo político. E isso inclui também o judiciário. “O direito é uma forma política, e a política se faz no entorno de credibilidade, legitimidade e interesses”, afirmou.
O especialista destaca, ainda, a ação do Banco Central, que, para ele, foi “de muita contundência” – o BC decretou a liquidação do Master em dezembro, em meio aos indícios de fraude. Ainda assim, avalia que o caso pode revelar uma crise mais profunda do sistema financeiro do país.
“A despeito das instituições fiscalizatórias estarem funcionando, vemos práticas reiteradas de uma supervalorização (dos próprios resultados), inflar sem lastro, para justificar operações financeiras gigantescas”, pontuou.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube faz Brasil de Fato.

