O Ministério Público da Bolívia emitiu, nesta segunda-feira (18), um mandado de prisão contra o secretário-executivo da Central Operária Boliviana (COB), Mario Argollo, acusado dos crimes de incitação pública ao crime, terrorismo e outros.
Argollo é um dos rostos visíveis das intensas mobilizações antineoliberais que vêm ocorrendo na Bolívia nas últimas semanas, reunindo professores, agricultores, mineiros, trabalhadores do transporte e representantes de outros setores. Entre suas inúmeras reivindicações, eles pedem a renúncia do presidente de direita Rodrigo Paz.
O Procurador-Geral, Roger Mariaca, relatou os supostos atos atribuídos a Argollo. Enquanto isso, a COB (Central Operária Boliviana) denunciou a perseguição ao seu líder e condenou a violência policial contra os manifestantes que protestaram contra o governo central na segunda-feira.
Argollo já havia denunciado a perseguição judicial e pediu a continuidade das mobilizações em La Paz e El Alto .
Após o anúncio do mandado de prisão, Argollo garantiu, em declaração pública, que os processos legais em curso não irão interromper as medidas de pressão, que — segundo ele — visam defender a economia familiar e os recursos naturais contra as políticas do governo central.
“Eles não vão nos derrotar na luta que empreendemos; estão tentando nos silenciar como líderes com ações populares e processos criminais”, observou o líder sindical.
Em outra de suas publicações, a COB afirmou que, enquanto o povo exige respostas e vivencia a crise nas ruas, as Forças Armadas (FF.AA.) e os policiais estão sendo abastecidos com gás lacrimogêneo proveniente de uma aeronave do tipo Hércules.
“O governo responde com militarização e repressão em vez de ouvir o povo. A história lembrará quem defendeu os cidadãos e quem lhes virou as costas. Nenhuma força deve estar acima do povo ou de seus direitos”, declarou o sindicato.
Nesta segunda-feira, 18 de maio, uma marcha maciça de trabalhadores, camponeses e setores populares partiu da cidade de El Alto em direção a La Paz, a capital administrativa da Bolívia, para exigir a renúncia imediata do presidente Paz.
A mobilização, liderada pela COB, pela Confederação Sindical Unificada dos Trabalhadores Camponeses da Bolívia (CSUTCB) e pela Federação Camponesa de La Paz ‘Tupac Katari’ (Ponchos Vermelhos), juntamente com professores e mineiros cooperativistas, aprofunda uma greve geral por tempo indeterminado que mantém o país praticamente cercado, com mais de 70 bloqueios de estradas.
Até o momento, pelo menos 57 pessoas foram presas e pelo menos quatro manifestantes foram mortos enquanto as forças de segurança tentavam desobstruir as ruas.

